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Ministra da Cultura

António Lobo Antunes foi "um embaixador da língua portuguesa e do país"

05 mar, 2026 - 19:04 • Maria João Costa

"Um escritor maior" a quem faltou o Nobel e que deixa "um legado que perdurará no tempo e que continuará a ser lido, estudado e investigado", é desta forma que a ministra Margarida Balseiro Lopes recorda António Lobo Antunes, de quem diz gostar em particular da poesia.

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António Lobo Antunes foi "embaixador da língua e do país", afirma ministra da Cultura
António Lobo Antunes foi "embaixador da língua e do país", afirma ministra da Cultura

A notícia da morte de António Lobo Antunes apanhou Margarida Balseiro Lopes de visita a Madrid, em Espanha. A ministra da Cultura, Juventude e Desporto evoca o escritor como uma “figura ímpar da literatura e da cultura portuguesas” e como “um símbolo maior do país”.

“Eu estava hoje de manhã na Arco em Madrid, quando soube da notícia e devo dizer que os portugueses que me acompanharam ficámos todos muito consternados com a notícia, mas os espanhóis que estavam connosco conheciam perfeitamente a obra e a personalidade ímpar”, partilha a governante.

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Isto leva Margarida Balseiro Lopes a afirmar que António Lobo Antunes, que morreu esta quinta-feira em Lisboa, aos 83 anos, era “sem dúvida nenhuma um embaixador da língua portuguesa e do país”.

O Governo decretou luto nacional para este sábado, dia que coincide com as cerimónias fúnebres marcadas para o Mosteiro dos Jerónimos. A titular da Cultura diz que é a forma de homenagear um “escritor maior da nossa literatura contemporânea”.

“Hoje é um dia triste, é um dia de luto e também quero deixar aqui uma palavra de solidariedade com a família, os amigos, mas também é um dia para demonstrarmos a gratidão por tudo aquilo que ele nos deixou e deixou muito, seja os mais de 30 romances, sejam as crónicas que abundantemente hoje foram invocadas, recordadas, sejam os ensaios, mas também permitam-me destacar os poemas de António Lobo Antunes.”

"Não quero deixar nada, quero ficar inteiro". António Lobo Antunes morreu aos 83 anos
"Não quero deixar nada, quero ficar inteiro". António Lobo Antunes morreu aos 83 anos

Questionada sobre se há alguma obra do escritor, Prémio Camões em 2007, que queira destacar, a ministra recorda a poesia de Lobo Antunes: “Tenho um poema, ‘A Valsa’. Ele é mais conhecido pelos romances, também pelas crónicas, mas na poesia e há pouco soube que será brevemente publicado um novo livro de poemas, era de facto um escritor muito versátil”.

Nas palavras de Balseiro Lopes, Lobo Antunes era um autor que “desafiava a olhar para nós e a questionarmos sobre a condição humana, com uma enorme sensibilidade e profundidade e isso ficará sempre”.

“Este é um legado que perdurará certamente no tempo e continuará a ser lido, estudado, investigado e recebeu muitos prémios, muitas condecorações em Portugal, no estrangeiro, justas e a obrigação que agora temos é de continuar a lê-lo, a estudá-lo e a recordá-lo com muita gratidão por tudo que nos deu”, refere a ministra.

Contudo, “faltou” a Lobo Antunes o Prémio Nobel, reconhece Margarida Balseiro Lopes. “Isso não diminui, em nada, o legado extraordinário que nos deixa e dos múltiplos prémios e condecorações que foi recebendo em vida e acho que é nisso que nos devemos concentrar e recordar”, aponta.

Amadeo de Souza Cardoso no Museu Thyssen em Madrid

A ministra esteve nesta últimas horas de visita a Madrid, onde marcou presença na ARCO, a feira de arte. “Faço um balanço muito positivo. Tive oportunidade de falar com alguns dos galeristas que já me sinalizaram que o dia de ontem foi muito importante”, diz a ministra em tom de balanço da sua passagem pelo certame.

O primeiro dia da ARCO é aberto exclusivamente a colecionadores e instituições para fazerem as primeiras aquisições de obras. “Houve de facto um grande interesse nas galerias”, indica a ministra sobre a presença portuguesa.

“Foi um bom arranque e esta é uma forma de valorizarmos a arte contemporânea portuguesa e não só. Obviamente que estas galerias não têm só obras de artistas portugueses, mas têm também e essa, é uma forma de valorizar a arte contemporânea portuguesa e que está em linha com outras iniciativas”, explica.

Mas na passagem por Madrid, Margarida Balseiro Lopes teve ainda oportunidade de reunir-se com o seu homólogo espanhol de quem recebeu uma novidade. O titular da pasta indicou que “um dos principais museus espanhóis, o Thyssen-Bornemisza, vai ter, ainda este ano, uma exposição de Amadeo de Souza-Cardoso”.

A exposição está programada para o mês de outubro, a mesma altura em que a Biblioteca Nacional de Espanha realizará uma exposição dedicada ao poeta Luís Vaz de Camões.

A ministra, que fala num motivos de “orgulho”, aproveitou ainda a ida a Espanha para visitar a exposição “Inquietude. Liberdade e Democracia”, patente na Casa Encendida, feita em parceria com os nossos vizinhos, “que conta a história da transição para a democracia dos dois países”.

A mostra integrada nas celebrações dos 50 anos das transições democráticas de Portugal e Espanha, reúne 86 obras de mais de 50 artistas portugueses e espanhóis e resulta de uma parceria entre a CACE – a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a Fundación Montemadrid e Braga 25, Capital Portugal da Cultura.

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