Morreu António Lobo Antunes
05 mar, 2026 - 08:47 • Maria João Costa com Redação
Morte do escritor confirmada pela Renascença junto de fonte da editora D.Quixote. [em atualização]
O escritor António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 83 anos. A informação foi confirmada pela Renascença junto de fonte da editora D.Quixote.
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Lobo Antunes estava desde há alguns anos desaparecido da cena pública.
Nasceu em Lisboa, em 1942, tinha 83 anos. Era médico de formação e foi essa nessa condição que foi para África, para a guerra, onde esteve entre 71 e 73, em Angola. Essa experiência marcou a sua escrita.
Médico psiquiatra de formação, António Lobo Antunes escreveu livros que marcam a literatura portuguesa, como "Memória de Elefante", "Os Cus de Judas", "Fado Alexandrino", "Auto dos Danados" e muitos outros onde sempre olhou a portugalidade. Escreveu sempre à mão, numa letra minuciosa e quase indecifrável - de médico.
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O Prémio Camões de 2007 falava numa voz pausada, sempre de cigarro na mão.
Nesse mesmo ano escreveu, como fez durante anos na Revista Visão, uma crónica intitulada "Adeus".
"O meu trabalho está praticamente terminado. Escrevi os livros que queria, da maneira como queria, dizendo o que queria: não altero uma linha ao que fiz e, se me dessem mais cem anos de vida em troca deles, não aceitava. Era exactamente isto que ambicionava fazer.”
Cerimónias fúnebres no Mosteiro dos Jerónimos
O corpo do escritor António Lobo Antunes estará em câmara na sexta-feira, 6 de março, a partir das 16h00, na Igreja Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
As exéquias fúnebres do autor de livros como "Memória de Elefante" ou "Os Cús de Judas", decorrem no sábado, a partir das 10h00, indica a agência funerária Servilusa, em comunicado.
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Haverá celebração de missa de corpo presente, ao meio-dia.
O corpo de António Lobo Antunes segue depois para a última morada no Cemitério de Benfica, em Lisboa.
O Governo aprovou esta quinta-feira em Conselho de Ministros um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que será cumprido no sábado.
"O Governo também propôs ao Presidente da República, que prontamente aceitou, a atribuição do Grande-Colar da Ordem de Camões a António Lobo Antunes", informa uma nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
A Câmara de Lisboa também decretou, para sábado, luto municipal em memória de Lobo Antunes.
“Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior intérprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país”, afirma o autarca Carlos Moedas, na sua mensagem de condolências.
[notícia atualizada às 16h24]
- Noticiário das 5h
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