Lobo Antunes no Panteão? Marcelo diz que "gostaria", mas não é ele que decide
06 mar, 2026 - 18:15 • Maria João Costa
O Presidente da República foi esta sexta-feira depositar o Grande-Colar da Ordem de Camões junto ao caixão de António Lobo Antunes. Questionado sobre se o escritor deve ir para o Panteão Nacional, o Marcelo Rebelo de Sousa diz que a decisão não lhe cabe a si.
A urna de António Lobo Antunes está coberta com o cachecol do Benfica, no velório que decorre no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Ao lado estão várias insígnias que foi recebendo ao longo da sua vida e esta sexta-feira, também ali foi depositado o Grande-Colar da Ordem de Camões. Marcelo Rebelo de Sousa veio pessoalmente entregar a distinção.
Num dia de chuva e muito vento, o Presidente da República marcou presença no início das cerimónias fúnebres do escritor e veio dar as suas condolências à família presente na Igreja de Santa Maria de Belém.
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À saída e questionado sobre se António Lobo Antunes deveria ir para o Panteão Nacional, Marcelo Rebelo de Sousa explicou aos jornalistas que a decisão “cabe aos políticos e parlamentares” da Assembleia da República.
“Não sei o que é que a família pensa, e o que é que pensa que ele gostaria que acontecesse, mas é daqueles nomes óbvios de estar há muito tempo no nosso Panteão, dos grandes da escrita em Portugal”, indicou o Presidente em fim de mandato.
Insistindo na pergunta, aos jornalistas Marcelo afirmou: “No Panteão, tal como eu o concebo, gostaria, mas quem tem de decidir não sou eu”, rematou.
“Contou-nos a História de Portugal no fim do império e na transição para a democracia”
Nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, António Lobo Antunes “foi dos grandes escritores portugueses, não só em toda a nossa literatura, mas em particular no final do século passado, na transição para este século”.
O presidente evocou a forma como o autor, que venceu o Prémio Camões em 2009, foi “dos mais traduzidos em todo o mundo”.
Marcelo lembrou que o também poeta começou a “escrever muito tarde” e que tocava “gente muito diferente” com a sua escrita, “porque contava histórias do quotidiano, era, além também, cronista. Mas, sobretudo, contou a História de Portugal no fim do império e na transição para a democracia”.
O Presidente destacou ainda a forma como Lobo Antunes contava as histórias a partir de “uma experiência vivida”. “Ele esteve lá, ele viveu, ele trocou cartas sobre aquilo que sentia, o que pensava, o que sonhava”.
Questionado sobre a personalidade do autor, que morreu esta quinta-feira aos 83 anos, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que “era de um brilhantismo, de uma inteligência e de uma rapidez únicas”.
“Era muito irreverente, era muito iconoclasta, era muito heterodoxo. Como pessoa, era fascinante, porque era um contador de histórias único, porque era um ótimo crítico da realidade social, do dia-a-dia e da comunidade como um todo. Sempre irreverente, sempre independente, nunca envelhecendo”, detalhou o Presidente.
“Podemos dizer que, quando olhamos para dois ou três grandes nomes da nossa literatura, nos últimos 60, 70 anos, ele é um deles”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.
- Noticiário das 5h
- 16 abr, 2026








