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“Portugal nunca o esquecerá”: o adeus a Lobo Antunes

07 mar, 2026 - 16:15 • Ana Catarina André

Foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa se referiu ao escritor, que foi sepultado este sábado. Além dos discursos emocionados da família, na celebração ouviu-se também, a pedido do próprio António Lobo Antunes, a declamação do poema “Na Mão de Deus”, de Antero de Quental.

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“Portugal nunca o esquecerá”: o adeus a Lobo Antunes
Oiça a reportagem. No final da missa, ouviu-se o poema “Na Mão de Deus”, de Antero de Quental. Foto: Manuel De Almeida/Lusa

Com palmas e ao som do hino do Benfica. Foi assim que o cortejo fúnebre de António Lobo Antunes, que morreu esta quinta-feira, aos 83 anos, deixou a Igreja de Santa Maria de Belém, nos Jerónimos, em Lisboa. A celebração que reuniu centenas de personalidades do mundo da cultura e da política, entre as quais Marcelo Rebelo de Sousa, contou com discursos emotivos da família do escritor, considerado um dos mais relevantes da literatura portuguesa do último século.

No final, as três filhas, um dos irmãos e de dois netos partilharam algumas das memórias das suas vivências com António Lobo Antunes. “Ninguém dizia versos como o António”, recordou um dos irmãos. Foi aliás a seu pedido que, no final da missa, se ouviu o poema “Na Mão de Deus”, de Antero de Quental.

Na sua intervenção, neste Dia de Luto Nacional pela morte do autor, Marcelo Rebelo de Sousa recordou um escritor “símbolo maior da identidade” de Portugal, “um criador de palavras”, “um mestre da portugalidade não serôdia”, um homem que “sabia antever o futuro”. “Portugal nunca o esquecerá”, garantiu o ainda Presidente da República.

Na homilia, D. Alexandre Palma, que presidiu às exéquias, evocou a memória e o espanto, “dois dispositivos da vida cristã”, presentes também na vida e obra do autor de obras como Os Cus de Judas e Memória de Elefante. “Ajudou uma geração e um País a redimir a sua memória”, disse o bispo auxiliar de Lisboa, referindo-se à guerra colonial, onde Lobo Antunes esteve e sobre a qual escreveu, mas também “a um Portugal que se descobriu livre e se transformou”.

Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa. Foto: Filipe Amorim/Lusa
Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa. Foto: Manuel De Almeida/Lusa
Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa. Foto: Manuel De Almeida/Lusa

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