Últimos anos de Manoel de Oliveira em destaque em exposição de Serralves
13 mar, 2026 - 07:56 • Redação
Arquivo do realizador enche terceira e última exposição, que completa a cronologia do período final da sua carreira.
A Fundação de Serralves inaugura esta sexta-feira a terceira e última exposição dedicada ao arquivo pessoal de Manoel de Oliveira.
A mostra encerra um ciclo iniciado em 2023 e centra-se nos últimos 25 anos da vida e obra do realizador, entre 1990 e 2015.
O objetivo é colocar o arquivo do cineasta em diálogo com a história do cinema português do seu tempo.
O ciclo começou com “A Bem da Nação (1930–1970)”, dedicado ao período do Estado Novo, e continuou com “Liberdade! (1970–1990)”, focado nos anos antes e depois da Revolução de 25 de Abril.
Agora, a terceira parte completa a cronologia e revisita o período final da carreira do realizador.
Foi também um dos seus momentos mais produtivos. Depois dos 80 anos, Manoel de Oliveira realizou 31 filmes, mais do que nas seis décadas anteriores.
Organizada pela Casa do Cinema Manoel de Oliveira, a exposição tem a curadoria de António Preto e João Mário Grilo, com coordenação de Carla Almeida.
A exposição apresenta materiais do arquivo pessoal do cineasta. “Argumentos de filmes, correspondência, esboços de filmes e de guiões em diferentes estádios de desenvolvimento, documentos de preparação dos filmes, fotografias de cena, fotografias de rodagem, fotogramas”, enumera António Preto, em resposta a uma pergunta da Renascença, durante a sessão de apresentação à imprensa.
Estão organizados de forma cronológica, acompanhando a evolução da obra.
O curador acrescenta que “o acesso à documentação permite perceber muitas das opções do realizador e até desmontar interpretações que possam existir sobre os filmes”.
O trabalho com os documentos revelou também como ideias atravessam vários projetos. Questões levantadas num filme podem reaparecer noutro, anos mais tarde.
Um dos exemplos está ligado ao filme "O Estranho Caso de Angélica" (2010). O argumento nasceu em 1952, depois de Manoel fotografar uma jovem familiar da sua mulher logo após a sua morte. O projeto não avançou na altura, mas o realizador concretizou-o quase 60 anos depois. No arquivo, guardou as fotografias originais que inspiraram o filme.
Para os curadores, este ciclo de exposições é apenas o começo. “O fecho deste ciclo abre novas possibilidades de olhar para o arquivo, de o ler e de o desmontar”, afirma João Mário Grilo aos jornalistas, na apresentação da mostra.
A investigação foi desenvolvida em colaboração com o CineLab – Ifilnova, do Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa, e a cronologia do cinema português apresentada na mostra contou com o contributo da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.
Mais do que revisitar a obra de Manoel de Oliveira, a exposição procura mostrar o processo criativo do realizador e a memória que acompanha cada filme.
- Noticiário das 4h
- 11 mai, 2026










