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Estudo. Quando os metais dos carros chegam ao mar, quem paga é o mexilhão

16 mar, 2026 - 12:40 • Olímpia Mairos

Investigação da Universidade de Aveiro revela que platina, paládio e ródio podem alterar o metabolismo e provocar danos celulares em mexilhões.

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Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) alerta para os potenciais impactos ambientais dos metais do grupo da platina — platina (Pt), paládio (Pd) e ródio (Rh) — substâncias cada vez mais presentes nos ecossistemas aquáticos devido à sua utilização em catalisadores automóveis, processos industriais e aplicações médicas.

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Apesar da crescente presença destes metais no ambiente, os seus efeitos biológicos ainda são pouco conhecidos, sobretudo quando aparecem combinados. Para ajudar a colmatar essa lacuna, investigadores da Universidade de Aveiro analisaram os impactos destes contaminantes em mexilhões da espécie Mytilus galloprovincialis, frequentemente utilizados como indicadores da qualidade ambiental dos ecossistemas marinhos.

O trabalho foi desenvolvido por investigadores dos Departamentos de Biologia e de Química da UA, em colaboração com o CESAM e o LAQV-REQUIMTE.

Durante 28 dias, os mexilhões foram expostos a concentrações ambientalmente relevantes de platina, paládio e ródio, tanto de forma isolada como em diferentes combinações. Os cientistas avaliaram vários biomarcadores relacionados com o metabolismo energético, os mecanismos antioxidantes, a detoxificação celular e os danos nos tecidos.

Os resultados mostram que cada metal provoca efeitos distintos nos organismos marinhos.

A platina, sobretudo em concentrações mais baixas, estimulou o metabolismo energético e ativou mecanismos de defesa antioxidante e de detoxificação. Já o paládio, quando presente em níveis mais elevados, afetou negativamente as reservas energéticas e a eficiência metabólica dos mexilhões.

O ródio destacou-se pelo impacto mais agressivo, com capacidade para provocar danos oxidativos significativos em lípidos e proteínas.

Quando os metais ocorreram em mistura, os investigadores observaram efeitos mais complexos e difíceis de prever. As combinações platina + paládio e platina + ródio revelaram sobretudo efeitos sinérgicos, reforçando os impactos no metabolismo e nos mecanismos de detoxificação celular. Já a mistura paládio + ródio apresentou maioritariamente efeitos aditivos.

A exposição simultânea aos três metais mostrou ainda respostas biológicas distintas, com efeitos combinados que incluíram interações aditivas e antagonismos em alguns biomarcadores antioxidantes e de oxidação proteica.

O estudo, assinado por Gabriela Praça, Marta Cunha, Mariana Rodrigues, Carla Leite, Amadeu Soares, Eduarda Pereira e Rosa Freitas, constitui uma das primeiras avaliações mecanísticas detalhadas dos efeitos combinados destes metais em organismos marinhos.

Os investigadores sinalizam que os resultados reforçam a necessidade de avaliar o impacto ambiental de misturas de contaminantes e de exposições prolongadas a baixas concentrações, sublinhando a crescente preocupação com o impacto ecológico destes metais nos ecossistemas costeiros.

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