Música
Lara Dâmaso, Nídia, Dj Firmeza e Helviofox vão estar na Bienal de Veneza de Música
23 mar, 2026 - 23:13 • Lusa
Bienal de Veneza de Música reúne mais de 130 artistas em 40 eventos, incluindo 23 obras inéditas, 18 delas em estreia mundial.
Os artistas portugueses Lara Dâmaso, Nídia, Dj Firmeza e Helviofox vão participar na 70.ª edição do Festival Internacional de Música Contemporânea da Bienal de Veneza, de 10 a 24 de outubro, levando ao festival uma componente social e comunitária.
Sob o título "A Child of Sound", a programação de 2026, que foi apresentada esta segunda-feira, é dirigida por Caterina Barbieri e reúne mais de 130 artistas em 40 eventos, incluindo 23 obras inéditas, 18 delas em estreia mundial, atravessando séculos e continentes, misturando tradição, música clássica, experimental e eletrónica.
A participação portuguesa vai levar ao festival a fusão entre eletrónica e influências da diáspora africana, expressando a cultura das comunidades descendentes das antigas colónias portuguesas em África, fazendo ligação entre os sons de Lisboa e o estilo africano, explicou Caterina Barbieri.
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"Do som nascido nas periferias da Tanzânia até à mistura original entre eletrónica e as influências afro-diaspóricas do kuduro, batida e gqom - a expressão comunitária dos descendentes das antigas colónias portuguesas em África, que encontraram o seu terreno fértil ideal nos bairros e na diversidade cultural de Lisboa".
Nídia, Dj Firmeza e Helviofox apresentam-se com projetos desenvolvidos em colaboração com a editora Príncipe, fundada em Lisboa em 2011, dedicada à "promoção da música de dança contemporânea nas periferias e bairros populares da cidade, trazendo um profundo compromisso social e comunitário ao trabalho dos seus artistas locais".
Além disso, a artista Lara Dâmaso participa no Biennale College 2026, programa de residências de criação que envolve músicos, compositores e artistas sonoros com menos de 30 anos, realizando performances ao vivo, composições acousmáticas e instalações audiovisuais.
A jovem compositora, artista sonora e intérprete portuguesa foi uma dos cinco jovens selecionados por Caterina Barbieri -- os restantes são provenientes do Canadá, Estados Unidos, Brasil e Itália -, que irão desenvolver os seus projetos durante três residências em Veneza, em abril, junho e setembro.
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Nessas residências, os artistas seguem um programa de investigação, pesquisa, criação e produção conduzido na cidade sob a orientação de músicos e especialistas de renome internacional, incluindo Lyra Pramuk, Miller Puckette, Simone Trabucchi (STILL), Thierry Coduys, Moor Mother e Marcel Weber (MFO), responsável também pela cenografia e iluminação do festival.
O conceito central do festival inspira-se na ideia de que a música é a "infância do espírito", uma experiência que reconecta a um estado primordial de abertura, vitalidade e criatividade, retomando o pensamento de Karlheinz Stockhausen sobre a importância de uma escuta não condicionada, livre de convenções culturais ou estilísticas, explicou a diretora.
O programa inclui comissões originais e trabalhos coletivos que exploram formas dinâmicas e participativas de escuta, combinando obras "site-specific" com estreias mundiais de compositores contemporâneos de referência.
Entre as estreias mundiais do festival destacam-se "Musica per una fine", de Ennio Morricone, apresentada pelo Parco della Musica Contemporanea Ensemble, com 32 instrumentistas e coro de 16 vozes, uma obra inédita publicada postumamente, e construída em torno de um poema de Pier Paolo Pasolini lido pelo próprio autor, com um programa de música de Johann Sebastian Bach, que inclui o "Ricercar a 6", na orquestração de Anton Webern, e uma encomenda à compositora e intérprete Sarah Davachi, que receberá o Leão de Prata do Festival.
Outra estreia mundial é "In the Threshold of Your Love", uma obra transcultural que estabelece diálogo entre a cantora americana Lyra Pramuk e o percussionista iraniano Mohammad Reza Mortazevi, com participação do multi-instrumentista egípcio El-Ghazouly, tocando instrumentos como o sinter marroquino e a fujara eslovaca, combinados com electrónica. .
O festival também apresenta o repertório renascentista e barroco dos Tallis Scholars, incluindo uma obra inédita de Kara-Lis Coverdale, que interpreta ainda o seu álbum "Changes in Air" e atua como organista convidada junto de Sarah Davachi.
O programa integra estreias italianas, como "Canons" para um coro à cappella, de Clarissa Connelly, explorando a voz na relação entre memória histórica e contemporânea. .
Também a ONCEIM (Orchestre de Nouvelles Créations, Expérimentations et Improvisations Musicales de Paris) leva à bienal duas obras em estreia italianas: uma criação para orquestra de Ellen Arkbro, que cruza instrumentação acústica tradicional com eletrónica, e "Non puoi contare l'infinito", para voz e eletrónica, com Caterina Barbieri.
A programação de preservação das culturas tradicionais inclui o ensemble egípcio Mazaher, dedicado ao ritual zar, e a música Singeli da Tanzânia, interpretada por Hamadi Hassani, conhecido como Dj Travella, e Jay Mitta, representando tradições emergentes da periferia urbana africana.
O festival apresenta ainda música experimental de Walter Zanetti, que interpreta "Cantos Yoruba de Cuba", explorando música sagrada afro-cubana e ritmos batà da Santería, preservando o caráter ritual das canções, e "El Decameron Negro", baseado em contos africanos reunidos pelo antropólogo Leo Frobenius e composto por Juan Leo Brouwer, unindo música folclórica, culta e experimental. .
ML Buch (Marie Luise Buch) e Gigi Masin apresentam criações em guitarra, sintetizadores e eletrónica, enquanto Francesco Messina apresenta "Prati bagnati del Monte Analogo", rearranjado para trio, e a estreia mundial de "Le api dell"invisibile". .
Novas vozes da música eletrónica italiana, Marta De Pascalis e Grand River, surgem com trabalhos inéditos, enquanto figuras consagradas como Laraaji realizam performances e "workshops".
"Outro mestre, pioneiro da cena japonesa de "noise" e figura de culto da improvisação radical, é Keiji Haino, laureado com o Leão de Ouro para a carreira", que para a bienal "realizará um concerto "site-specific" para voz e instrumentos de corda, e apresentará também um documentário sobre a sua carreira, dirigido por Kazuhiro Shirao, nunca antes exibido fora do Japão", destacou a diretora.
O espaço Origine, na Sala de Armas do Arsenale, será dedicado à escuta profunda, encontros, concertos, sessões de audição e projeções, com curadoria de Masaru Hatanaka, do legendário bar de Tóquio "Nightingale".
- Noticiário das 11h
- 20 mai, 2026



![Participação portuguesa vai levar ao festival a fusão entre eletrónica e influências da diáspora africana. Foto: Valentin Flauraud/EPA [arquivo] Participação portuguesa vai levar ao festival a fusão entre eletrónica e influências da diáspora africana. Foto: Valentin Flauraud/EPA [arquivo]](https://images.rr.pt/432926312389dd79fafadefaultlarge_1024.jpg)




