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Nova liderança na ACE quer “ouvir o passado” e redefinir o futuro da escola artística

26 mar, 2026 - 10:26 • Olímpia Mairos

Nova direção assume funções após período de crise e promete reforçar transparência, prevenir o assédio e valorizar a formação artística da instituição.

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A ACE – Escola de Artes tem uma nova direção e promete um novo rumo para a instituição, após um período recente marcado por controvérsia. A equipa, eleita em Assembleia Geral a 12 de fevereiro, assume como prioridade restaurar a confiança na escola e reforçar o seu valor educativo.

Ouvir o passado para podermos estabelecer um diálogo franco com o futuro” é o lema que orienta a nova liderança, composta por Inês Barbedo Maia, Lola Sousa e Liliana Moreira.

Crise recente levou à criação de comissão de transição

A eleição surge na sequência da demissão da anterior direção e de um período de instabilidade no arranque do ano letivo, marcado por denúncias graves que circularam na comunidade escolar.

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Perante esse cenário, um grupo de professores mobilizou-se para garantir o funcionamento da escola e criar uma solução de governação provisória. Dessa iniciativa nasceu uma Comissão de Transição, eleita a 29 de setembro de 2025, que teve como missão fazer um diagnóstico interno e preparar eleições.

O trabalho da comissão foi concluído no início de fevereiro de 2026 e os seus resultados apresentados à cooperativa.

A nova direção sublinha que as denúncias devem ser tratadas com responsabilidade. “As acusações de assédio são graves e devem ser tratadas com ponderação e pelas autoridades responsáveis, capazes de avaliar cada situação de forma justa e idónea”, afirmam, citadas em comunicado.

Uma inspeção da IGEC – Inspeção-Geral da Educação e Ciência concluiu, entretanto, que a escola reúne condições para retomar o funcionamento regular.

Combate ao assédio e criação de códigos de conduta

Entre as prioridades está a criação de mecanismos de prevenção e combate a comportamentos abusivos dentro da instituição.

Ainda não temos soluções definitivas. Este é um problema social transversal a todos os setores e o nosso foco é o futuro”, refere a direção.

O objetivo passa por implementar “mecanismos de prevenção, monitorização e ação” contra assédio laboral, moral e sexual, com apoio técnico independente e envolvendo toda a comunidade escolar, incluindo ex-alunos.

Está também prevista a criação de códigos de conduta e a promoção de ações de formação, numa tentativa de transformar o atual contexto num ponto de viragem.

Queremos criar mecanismos transparentes e adequados à comunidade escolar do presente e do futuro, mas abertos a todos os alunos do passado”, acrescentam.

Uma escola com projeção nacional

Apesar das dificuldades recentes, a nova equipa diretiva sublinha a relevância da ACE no panorama artístico nacional.

Fundada há mais de duas décadas, a escola mantém uma ligação estruturante à Companhia de Teatro do Bolhão, permitindo aos alunos contacto direto com o contexto profissional e acesso a uma equipa técnica residente.

A ACE colabora com o Ministério da Educação e com a ANQEP – Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional na definição de currículos, oferecendo cursos profissionais nas áreas de interpretação, cenografia, figurinos, adereços, luz e som.

O Curso Básico de Teatro conta atualmente com cerca de 500 crianças e está implementado em dezenas de escolas pelo país.

Desde a sua fundação, a instituição formou milhares de profissionais que hoje trabalham em palcos nacionais e internacionais — um legado que a nova direção quer preservar e aprofundar.

Iniciamos funções com entusiasmo e sentido de responsabilidade, determinados a reforçar a excelência do ensino artístico que sempre caracterizou a ACE”, concluem.

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