Literatura brasileira
A história da escritora que traduziu o seu próprio livro para português
27 mar, 2026 - 15:15 • Maria João Costa
Bruna Dantas Lobato é tradutora de profissão. A brasileira costuma traduzir para inglês obras escritas em português. Mas o seu primeiro romance, “Horas Azuis” foi escrito em inglês. Diz que é um livro que pretende “atualizar o género do romance de emigração”.
Vive nos Estados Unidos desde 2011 e é responsável pela tradução de muitos autores de língua portuguesa para inglês. Bruna Dantas Lobato foi de resto a primeira tradutora de português a receber o National Book Award, em 2023, pela tradução do livro “A palavra que resta”, do brasileiro Stênio Gardel.
Nascida em Natal, no Estado brasileiro do Rio Grande do Norte, em 1991, Bruna Dantas Lobato escreveu o seu primeiro romance, mas não o fez na sua língua materna. A autora está a lançar em Portugal, “Horas Azuis” (ed. Companhia das Letras), o livro que escreveu em inglês.
Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, a escritora confessa que se aprende a escrever, traduzindo. Foi explorando “o que se faz na língua portuguesa que não se faz no inglês”. “Trouxe essa sensibilidade de escritora para a tradução e foi trazendo tudo o que aprendi na tradução para a minha escrita”, explica.
Bruna Dantas Lobato tem textos de ficção publicados em revistas como o “The New Yorker” ou “Guernica”. No seu currículo de tradutora assina por exemplo a edição dos livros de Caio Fernando Abreu, Jeferson Tenório e Giovana Madalosso para inglês.
“Horas Azuis” é nas suas palavras um romance sobre a nova emigração. Pegando na sua experiência, a autora retrata a relação entre uma mãe e uma filha que vivem em países diferentes e que comunicam através do ecrã digital.
“A semente da história veio a partir da minha história e da minha experiência pessoal como emigrante. Sentia que não encontrava na literatura uma representação da vida de emigrante como eu a conhecia, no contexto contemporâneo, em que dá para você chamar a alguém pelo ‘what’s app’. Eu queria atualizar o género do romance de emigração”, sublinha.
O romance fala não só da comunicação, mas também aborda o isolamento. “A minha personagem sente muitas vezes que é a única. É muito solitário fazer tudo longe da família”, conta Bruna Dantas Lobato.
Sobre este romance, o escritor brasileiro Jeferson Tenório disse: “Sem dúvida, uma das narrativas mais originais da literatura brasileira contemporânea sobre a complexidade das relações entre mães e filhas”.
- Noticiário das 8h
- 13 mai, 2026












