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"A Paixão segundo São João" volta a marcar a Páscoa na Figueira da Foz e no Porto

31 mar, 2026 - 11:35 • Redação

Concerto está a cargo da Orquestra Barroca e do Coro da Casa da Música, sob direção do maestro francês Léo Warynski, com encenação de Antoine Gindt.

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A monumental “A Paixão segundo São João”, de Johann Sebastian Bach, volta a marcar a programação pascal com duas apresentações que cruzam tradição e inovação: esta terça-feira 31 de março, na Igreja de São Pedro, na Figueira da Foz, e amanhã, 1 de abril, na Casa da Música, no Porto.

Considerada uma das maiores obras do repertório sacro, a composição que expressa força emocional, centrada no sofrimento e na dor, mas também na esperança e redenção, mantém-se atual mais de três décadas depois.

A interpretação estará a cargo da Orquestra Barroca e do Coro da Casa da Música, sob direção do maestro francês Léo Warynski, com encenação de Antoine Gindt. O elenco inclui ainda solistas.

Um dos principais objetivos desta produção passa por aproximar o público da narrativa bíblica e das emoções inscritas na música.

“O que nós pretendemos é envolver mais o público no concerto e nas emoções que Bach escreve, além de trazer o público para o interior desta mesma história”, diz à Renascença o coordenador da Orquestra Barroca e do Coro da Casa da Música, André Quelhas.

Na Casa da Música, essa aproximação ganha uma dimensão cénica, com recurso a encenação e elementos visuais.

Já na Figueira da Foz, onde o concerto decorre em contexto litúrgico, a experiência será diferente, mas igualmente imersiva. Será numa igreja, mas André Quelhas destaca, no entanto que a apresentação em sala de concertos “dá-nos outras possibilidades de envolvimento do público”.

O mesmo conta com legendas, que permitirão ao público acompanhar o texto e a ação.

A “Paixão segundo São João” é também um desafio artístico de grande exigência. “É uma partitura de uma dificuldade extrema e a principal dificuldade está em tentar transmitir pela música as emoções do calvário que Cristo passou”, aponta André Quelhas

Para o responsável, a atualidade da obra é evidente: “Essas histórias de sofrimento, de redenção, de ver a luz ao fundo do túnel (…) acho que, com o que se passa no mundo atualmente, não poderia ser mais atual.”

Programada especificamente para o período da Páscoa, a obra reforça o seu significado simbólico nesta altura do ano, evocando a morte e ressurreição de Cristo.

Na Casa da Música, o concerto será acompanhado por momentos de mediação com o público.

Antes da atuação, às 19h00, decorre uma conversa com o maestro e o encenador; no final, haverá novo encontro, promovendo o diálogo entre artistas e espectadores.

“A ideia é desmistificar, aproximar o público dos artistas”, explicou Quelhas, acrescentando que estes momentos permitem perceber “se o que foi pensado foi ou não conseguido” e partilhar impressões sobre a experiência vivida.

Com a lotação praticamente esgotada no Porto, o responsável deixa ainda um convite a quem nunca contactou com a obra: “As melodias são célebres, fáceis de gostar. (…) Será um conjunto de momentos com que facilmente todos nós conseguimos identificar-nos.”

Entre a solenidade de uma igreja e a dimensão cénica de uma grande sala de concertos, estas duas apresentações prometem revisitar uma obra intemporal, reafirmando o lugar central de Bach na tradição musical da Páscoa.

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