Estudo revela que conteúdos gerados por IA sobre conflitos aumentam medo e afastam turistas
31 mar, 2026 - 11:51 • Olímpia Mairos
Investigação internacional conclui que a Inteligência Artificial amplifica perceções de risco, reduz a intenção de viajar e pode ter impactos diretos nas economias locais dependentes do turismo.
Um novo estudo internacional conclui que conteúdos produzidos ou amplificados por Inteligência Artificial (IA) podem influenciar significativamente a perceção de risco, levando a um aumento da ansiedade e à diminuição da intenção de viajar — com impactos diretos no turismo em regiões afetadas por conflitos.
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A investigação, conduzida por uma equipa que inclui investigadores da Universidade de Coimbra, analisou de que forma imagens, vídeos e notícias gerados por IA constroem narrativas de insegurança, centrando-se no caso do Líbano no contexto do conflito em Gaza.
“A exposição a este tipo de media pode levar potenciais visitantes a sobrestimar os perigos associados ao destino, influenciando negativamente a decisão de viajar”, explica Cláudia Seabra. “O efeito é particularmente relevante em contextos de elevada incerteza, onde a informação circula rapidamente e nem sempre é devidamente verificada.”
Segundo a investigadora, a IA não se limita a reproduzir conteúdos existentes. “Pode também amplificar tendências sensacionalistas, contribuindo para uma perceção distorcida da realidade. Este fenómeno levanta questões importantes sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a necessidade de mecanismos de regulação e literacia mediática”, afirma.
O estudo focou-se no Líbano por ser um país economicamente dependente do turismo e próximo de um cenário de guerra. “A redução do fluxo turístico afeta diretamente negócios locais, emprego e o desenvolvimento regional”, sublinha Cláudia Seabra.
Para chegar às conclusões, os investigadores recorreram a uma metodologia mista, combinando análise de conteúdos mediáticos com dados de 503 cidadãos libaneses.
Os resultados evidenciam diferenças claras entre conteúdos produzidos por IA e os dos meios tradicionais. “Os conteúdos gerados por IA, frequentemente disseminados nas redes sociais, podem replicar padrões sensacionalistas, descontextualizar acontecimentos ou criar cenários plausíveis, mas não verificados”, explica.
Esta distinção torna-se especialmente crítica em contextos de conflito. “A IA pode amplificar imagens e narrativas de violência de forma difusa e menos rigorosa, contribuindo para uma perceção de risco alargada a regiões não diretamente afetadas”, acrescenta.
De acordo com o estudo, a desinformação gerada por IA, incluindo imagens manipuladas, teve um impacto significativo ao amplificar o medo e dissuadir o turismo local no Líbano. Além disso, “a confiança nestes conteúdos, quando não acompanhada de consciencialização, está associada ao aumento da ansiedade e à redução da intenção de viajar”.
A investigadora defende, por isso, a adoção de estratégias de comunicação mais transparentes, baseadas em dados reais, e o reforço da literacia digital, para mitigar os efeitos negativos da desinformação amplificada por IA.
O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Information Management.
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