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Cultura

Livro responde às perguntas que sempre “teve medo” de fazer sobre música clássica

31 mar, 2026 - 23:13 • Maria João Costa

O músico e compositor Sérgio Azevedo explica a melónamos e a curiosos de forma acessível tudo sobre a chamada música erudita. No livro "O que sempre quis saber sobre música clássica e teve medo de perguntar" há respostas para acabar com o “snobismo”.

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Livro responde às perguntas que sempre “teve medo” de fazer sobre música clássica
Ouça a reportagem da jornalista Maria João Costa

O que é uma sinfonia? Qual o papel do maestro numa orquestra? São algumas das perguntas a que o músico e compositor Sérgio Azevedo responde no livro "O que sempre quis saber sobre música clássica e teve medo de perguntar" (ed. Lavoire).

A obra nasceu de vários cursos que o artista que tocou com Zeca Afonso costuma dar. Pretende democratizar o acesso à chamada música erudita, mas sem palavras complicadas.

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Em entrevista à Renascença, Sérgio Azevedo começa por dizer que “a música é generosa”, não é preciso saber ler uma pauta para se poder apreciar uma área de Beethoven ou Mozart.

Mas, muitas vezes, há quem evite sentar-se numa plateia de um auditório a ouvir um concerto por achar que nada sabe sobre música clássica. Sérgio Azevedo quer ajudar a quebrar essas barreiras. O artista considera que esses muros “não são criados pela música”.

A música é muitas vezes usada como arma de arremesso, até diria, enfim, político ou sociológico para criar uma espécie de camada da população que tem posses para ir a isto ou aquilo ou que percebe e vai à ópera e, depois a camada da população que supostamente não percebe nada e fica lá em baixo. Ou seja, há um snobismo muito ligado também à divisão da sociedade”, sublinha.

No livro, Sérgio Azevedo responde a várias questões que ajudam a aproximar o público da música clássica. “A música é uma arte muito epidérmica, muito emocional. Não é de todo uma arte intelectual”, lembra.

Mas este livro não é apenas para quem nada sabe. Também os melómanos, habituados a frequentarem concertos poderão ler o livro. “Há muita gente que quer saber um bocadinho sobre isto ou aquilo. Vê uma orquestra e quer saber o que está ali a fazer o maestro? Para que é que ele serve? Ou o que é um violino e ou o que é aquilo à direita? Também é um violino maior ou é outra coisa?”

As respostas estão no livro que Sérgio Azevedo escreveu. Apesar de saber muito sobre música clássica, tenta traduzir tudo por palavras que sejam compreensíveis a quem nada ou pouco sabe

“Procuro pôr-me no papel de uma pessoa que vai a um concerto. Até gosta, mas não sabe nada do que está a acontecer ali no palco, a não ser que gosta da música que está a ouvir e quer saber algumas coisas”, explica Sérgio Azevedo sobre a perspectiva que adoptou.

Habituado a dar cursos na Fundação Calouste Gulbenkian, que pretendem ajudar a compreender as peças dos concertos, Sérgio Azevedo diz que não usa “termos técnicos” para melhor explicar as costuras da música clássica.

“Quando nós gostamos de uma pessoa, quando estamos apaixonados pela pessoa também queremos saber mais sobre essa pessoa”, lembra o compositor, que diz que na música “é a mesma coisa”.

“Cito no livro uma frase do ‘Principezinho’ do Saint-Exupéry, em que a raposa diz ao Principezinho: ‘tu para seres meu amigo, tens que me cativar primeiro’, ou seja, tem que haver uma cativação e depois é que vem o resto e na música é a mesma coisa. Primeiro oiçam, com os ouvidos abertos sem medo. Não é preciso ter medo e se ficarem encantados com essa música, então aí sim, e se calhar vão procurar mais coisas sobre sobre ela”.

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