Artemis II
Humanos voltam à órbita da Lua 50 anos depois (mas já a pensar em Marte)
01 abr, 2026 - 08:57 • Jaime Dantas
Viagem da NASA em volta da Lua inicia-se esta quarta-feira e terá a duração de dez dias. Objetivo é testar procedimentos para, numa próxima missão, aterrar novamente no satélite natural da Terra.
54 anos anos depois das missões Apollo, a NASA lança, na noite desta quarta-feira, uma nova viagem tripulada em torno da Lua.
A viagem vai durar dez dias e o lançamento está marcado para as 18h24, hora local (23h24 na hora portuguesa). De acordo com a agência espacial norte-americana, a bordo vão seguir quatro astronautas, naquela que é a primeira missão tripulada da Artemis (a missão Artemis I, em 2022, não levava ninguém). O regresso de humanos à Lua, no entanto, terá de ficar para outra ocasião: a NASA deixa esse objetivo para uma hipotética Artemis III ou até mesmo IV e pretende, até lá, testar tudo e mais alguma coisa.
Desta vez, a missão dos norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, acompanhados do canadiano Jeremy Hansen, é mais estratégica (e simbólica): pela primeira vez em mais de 50 anos vão observar o lado oculto da Lua. Também é a primeira vez que uma mulher, um afro-americano e um canadiano participam numa missão lunar.
No futuro, a ideia é criar uma base na superfície e uma estação espacial em órbita da Lua. À Renascença, o investigador Paulo Garcia explica que o projeto liderado pela NASA “enquadra-se numa estratégia mais geral de exploração humana do sistema solar”, sendo “o objetivo a médio prazo” chegar até Marte.
“Não podemos ir para Marte às 'escuras'. É preciso testar toda a tecnologia, todos os procedimentos e engenharia de sistemas num caso próximo, que é a Lua”, desenvolve.
Em que consiste a Artemis II e por que é importante?
A Artemis II é a segunda fase da missão Artemis, que, em 2022, já realizou “uma primeira missão robótica” em torno da Lua. Desta vez, a cápsula levará a bordo astronautas, numa uma espécie de ensaio para outras aspirações na corrida pelo espaço. Ou seja, e convém recordar, os astronautas não vão "alunar", ou seja, tocar na superfície da Lua.
Esta trajetória está pensada para testar sistemas, operações e comunicações. Paulo Garcia adianta que a ideia é "estabelecer uma base" para que, de futuro, haja maior "capacidade para fazer análises e construir ferramentas" para a sua criação e manutenção, que terão de ser feitas com impressoras 3D.
É preciso, diz o docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, garantir que "a máquina funciona" na Lua para preparar a chegada a Marte, apontada pela NASA para a próxima década.
“Uma ida à Lua é um bocadinho como um fim de semana prolongado. São três dias, enquanto que uma ida a Marte são seis a nove meses”, exemplifica.
Saúde da tripulação será um indicador de viabilidade das próximas missões
Para além das análises relacionadas com o espaço, um indicador que a agência espacial norte-americana quer estudar, 54 anos depois, é como se comporta a saúde da tripulação em ambiente espacial. No site da missão, a NASA escreve que a Artemis II vai “lançar as bases para uma exploração humana segura e eficiente” e dar aos investigadores “uma perspectiva sobre a forma como as viagens no espaço profundo influenciam” o corpo, a mente e o comportamento humanos.
Em termos práticos, vão ser medidas coisas como "os níveis de radiação no interior e no exterior da cápsula" que transporta os astronautas para ajudar a caracterizar o ambiente do espaço e, no limite, avaliar a viabilidade de missões futuras.
Os astronautas serão as “primeiras pessoas em mais de 50 anos a pôr os olhos no lado oculto da Lua”, salienta a instituição. A tripulação vai, por isso, aproveitar para recolher fotografias, áudios e outros tipos de registos relevantes para aprofundar o conhecimento sobre o satélite natural da Terra.
“Passos decisivos”, diz a NASA, para “preparar o próximo grande passo para a humanidade: missões humanas a Marte”.
Em que nave espacial vão viajar os astronautas?
A missão vai assentar, de acordo com a NASA, em dois sistemas: o foguetão SLS e a nave espacial Orion. O SLS, sigla para Space Launch System, é descrito pela agência espacial como um “foguete de carga super pesada” capaz de enviar, num só lançamento, a Orion, quatro astronautas e carga de grande dimensão diretamente para a Lua em futuras missões.
Já a Orion tem uma cápsula pensada para levar a tripulação da Terra até ao espaço e voltar ao nosso planeta em segurança. A nave inclui o módulo onde seguem os astronautas, um módulo de serviço responsável pela propulsão e pelas manobras ao longo do voo e, no topo, um sistema de escape preparado para afastar rapidamente a tripulação do foguetão em caso de emergência durante a subida.
A expectativa é grande mas os elementos da Artemis II estão concentrados: esta não é a primeira vez que a missão é abortada no último minuto e tal cenário pode voltar a acontecer esta quarta-feira.
Aliás, a primeira data da missão, 6 de fevereiro, foi adiada por falta de condições meteorológicas. A segunda, uns dias depois, passou para março e, finalmente, aponta-se agora para abril. No entanto, há todo um calendário de janelas de oportunidade para a NASA lançar a Artemis II, caso o dia 1 de abril falhe. Será que é desta que voltamos à corrida espacial?
- Noticiário das 8h
- 15 abr, 2026














