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Saúde dos rios em Portugal está incompleta, alerta estudo da Universidade de Coimbra

01 abr, 2026 - 10:51 • Olímpia Mairos

Investigação analisou 37 ribeiros e conclui que a avaliação atual da saúde dos rios em Portugal ignora indicadores essenciais do funcionamento dos ecossistemas.

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Saúde dos rios em Portugal está incompleta, alerta estudo da Universidade de Coimbra. Foto: Mafalda Gama
Saúde dos rios em Portugal está incompleta, alerta estudo da Universidade de Coimbra. Foto: Mafalda Gama
Saúde dos rios em Portugal está incompleta, alerta estudo da Universidade de Coimbra. Foto: Mafalda Gama
Saúde dos rios em Portugal está incompleta, alerta estudo da Universidade de Coimbra. Foto: Mafalda Gama

Um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra alerta que a forma como é atualmente avaliada a saúde dos rios em Portugal pode estar a deixar de fora aspetos essenciais do funcionamento dos ecossistemas.

O estudo propõe um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal para obter uma visão mais completa da qualidade ambiental.

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O trabalho foi coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET). Intitulado “Moderators of Organic Matter Decomposition in Portuguese Streams: A Field Study and Literature Review”, o estudo foi publicado na revista científica Freshwater Biology.

A investigação envolveu 23 cientistas de sete instituições nacionais e analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, além de uma revisão de 61 estudos anteriores sobre o tema.

Segundo os autores, a avaliação oficial da saúde dos rios baseia-se quase exclusivamente em indicadores estruturais, como a qualidade da água ou a composição das comunidades aquáticas, ignorando a integridade funcional dos ecossistemas — isto é, a forma como estes funcionam.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, explica Verónica Ferreira, coordenadora do estudo, citada em comunicado. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar perturbações antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas.”

A equipa concluiu que a velocidade de decomposição da matéria vegetal depende de vários fatores, como o tipo de detrito, a presença de macroinvertebrados, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água.

Os investigadores destacam ainda que ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Perante estes resultados, os autores defendem a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparação entre ecossistemas.

A integração de indicadores funcionais permitirá uma avaliação mais completa e realista da saúde dos rios”, concluem os investigadores.

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