Ouvir
  • Noticiário das 1h
  • 15 abr, 2026
A+ / A-

Miqui Otero

Romance espanhol inspirado nas festas das aldeias portuguesas

09 abr, 2026 - 18:44 • Maria João Costa

“Orquestra” é o romance do escritor catalão Miqui Otero. O autor, que já viveu em Portugal e passa férias na fronteira portuguesa, inspirou-se nas festas de verão das aldeias.

A+ / A-

Miqui Otero nasceu em Barcelona, mas diz que na sua família “sempre se disse” que havia “um ramo originário de Portugal”. O autor catalão é de resto o primeiro membro da família a nascer fora da Galiza.

De passagem por Portugal, onde está a lançar o romance “Orquestra” (ed. D. Quixote), o escritor explica que no seu livro “há muito de Portugal”.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Otero chegou a viver em Lisboa durante oito meses, mas é a vivência das férias de verão que passa numa zona de fronteira que surge no romance. “Orquestra” conta a história das gentes de uma aldeia durante uma festa de verão. A música é a narradora da livro.

Parte da inspiração para aquele que é o primeiro livro em que o autor não tem como cenário a cidade de Barcelona vem da sua experiência de verão.

“A aldeia da minha mulher fica na província de Zamora, a cinco minutos de Miranda do Douro. No verão, quando o dia passa a correr e quero recuperar um hora da minha vida, atravesso a fronteira e, em cinco minutos, de repente, recupero uma hora! É como uma viagem no tempo”, diz a rir sobre essas escapadelas a Portugal.

Há muito de Portugal no livro

A Otero essas viagens serviram de matéria para o romance. “Por exemplo, nas festas, tanto na parte espanhola, como na parte portuguesa, há muita música de orquestra. Uma das ideias principais é uma personagem que é um camionista que se chama Ventura. Ele vem de uma festa desse local, ou seja, há muito de Portugal no livro”, aponta concluindo que sente “realmente uma ligação clara com Portugal”.

Sobre o livro, Miqui Otero diz em entrevista ao programa Ensaio Geral, da Renascença, que “é um retrato de uma noite de verão”.

“Primeiro, vemos a avó a dançar com o neto, depois começam a chegar os adolescentes, as pessoas que acabaram de se casar ou de ter um bebé e vão tomar uma bebida. Vamos vendo desfilar todas as idades do ser humano. Todas num espaço muito pequeno, que é a praça de uma vila, no dia da sua festa”.

Neste retrato, o autor traça a “história daquele lugar”, uma aldeia onde se cruzam “memórias, alegrias, desejos e vinganças”.

Estava interessado em encontrar um lugar onde pessoas de idades muito diferentes pudessem conviver durante algumas horas. A novela começa com um homem de 100 anos e termina com um bebé. Cada um com os seus problemas e as suas vidas à vista de todos”, diz Miqui Otero.

Para o escritor de romances como “Simón”, este “Orquestra” é um livro onde “quem conta a história é a música”. “A música é quem melhor nos conhece. Está dentro de nós. Pode descrever o que todos esses personagens sentem ou pensam, mas também está fora, no ar, e pode espreitar, ir a todos os recantos e contar-nos tudo o que vê”.

Traduzido para português por Teixeira de Aguilar, o romance “Orquestra” está editado pela D. Quixote.

Ouvir
  • Noticiário das 1h
  • 15 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque