Disco
Acordeonista João Barradas grava disco com a Sinfónica de Hamburgo
10 abr, 2026 - 12:14 • Maria João Costa
“The Space Within” é o novo disco que o músico português João Barradas gravou na atmosfera única da igreja Kulturkirche Altona, de Hamburgo com a Hamburger Symphoniker e o maestro Sylvain Cambreling. No reportório estão Mozart e o japonês Hosokawa
Mozart não escreveu para acordeão, mas o músico português João Barradas conseguiu pegar na partitura do compositor e traspô-la para o seu instrumento de eleição.
Considerado um dos acordeonistas mais virtuosos, João Barradas que começou a estudar acordeão aos 6 anos, acaba de lançar um novo disco que espelha a diversidade do seu trabalho.
Além do jazz e da música improvisada, João Barradas mergulha agora na música clássica no disco “The Space Within”. O albúm editado com o selo Artway Next resulta do encontro do artista português com a prestigiada orquestra alemã Hamburger Symphoniker, dirigida pelo maestro Sylvain Cambreling.
Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, João Barradas explica a importância do local de gravação do disco, a Kulturkirche de Hamburgo. “O local é muitíssimo importante, porque funciona quase como o terceiro e último instrumento, sendo o primeiro o solista, o segundo a orquestra e o terceiro local”, indica.
Segundo João Barradas a “decisão de gravar no ambiente da igreja” prende-se com a acústica e a ideia de “sustentar um pouco mais as notas do acordeão, de ligá-las um pouco mais”
“Costumamos dizer até que uma boa orquestra, não é só uma boa orquestra; mas sim a orquestra e a sala onde toca. É a reverberação e a possibilidade de ouvirmos bastante bem os diferentes naipes e o resultado final que cria o som da música orquestral”, explica o artista.
Esta acústica serve bem o reportório escolhido para o disco, desde logo o primeiro tema do álbum, a peça “Voyage IV – Extasis” do compositor japonês Toshio Hosokawa. “É a acústica ideal”, aponta João Barradas. Trata-se de “uma acústica mais reverberante que veio ajudar a criar um selo que fica presente em todo o disco”, diz o artista.
Quanto ao restante disco é composto por obras de Wolfgang Amadeus Mozart, nomeadamente pelo Concerto para Piano n.º 23 em Lá maior, K. 488 que foi adaptado para acordeão por João Barradas.
“A transcrição foi bastante acessível no sentido em que a partitura original para piano lida no acordeão, praticamente não precisa de qualquer tipo de alteração. É mesmo uma experimentação, mudar um som de ataque da corda do piano para um som sustentado de um acórdão”, explica o acordeonista.
João Barradas diz que o seu caminho na música vai continuar a ser dentro da “possibilidade de fazer duas músicas em paralelo”, por um lado o jazz, por outro a música erudita.
“Vou continuar com mais um álbum de transcrições que sairá no próximo ano que conta com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e depois desse álbum vou dedicar uns tempos à música original para acordeão”.
- Noticiário das 14h
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