Ouvir
  • Noticiário das 13h
  • 12 mai, 2026
A+ / A-

Papa em África

Mia Couto considera que “precisamos de um Papa assim”

19 abr, 2026 - 09:06 • Maria João Costa

A visita do Papa a Angola pode ser um elemento de “unificação”, diz o escritor Mia Couto à Renascença. O autor considera que os problemas de um país como Angola não se resolvem “apenas no plano político”. Enaltece a reação de Leão XIV a Trump e diz que no contexto de “descrença” “precisamos de uma referência”.

A+ / A-

O escritor Mia Couto não esconde que não é religioso, mas reconhece que é “religioso de outro ponto de vista”, ou seja, “na necessidade de estar religado a qualquer coisa que faça sentido”. O autor olha para a visita do Papa Leão XIV a África e diz “precisamos de um Papa assim”.

Em entrevista à Renascença, à margem da sua participação, em Matosinhos, no Festival LeV – Literatura em Viagem o autor recorda a visita do Papa Francisco a Moçambique e considera que a viagem de Leão XIV a Angola pode coincidir numa mensagem de união.

Pode ser um elemento de unificação e perceção de que as coisas não se resolvem só num nível estritamente político. É dizer que há ali um nível humano e de diálogo que as pessoas têm que ter, para resolver aquilo que só se resolve de forma pacífica. Através da conversa humanizada”, afirma.

Na opinião do escritor, o mundo vive um tempo de “descrença” que se “tornou quase uma doença generalizada”. Face a este diagnóstico, o autor de “O Mapeador de Ausências” (ed. Caminho) considera que estes tempos exigem uma resposta “que não vamos encontrar em organizações, em instituições, sejam elas partidos, sindicatos”.

“Precisamos de uma referência, de uma pessoa, da figura de alguém que possa trazer de volta a crença de que o mundo pode mudar”, afirma Mia Couto. Para o escritor que está a escrever um novo livro, é relevante a forma como Leão XIV reagiu às palavras de Donald Trump.

“Colocou as coisa num outro território”, sublinha Mia Couto. “Acho que isso é fundamental. Precisamos de um Papa assim, precisamos de figuras assim”, diz o autor. “Num primeiro momento tive receio quando ele respondeu”, refere acrescentando que pensou que o Papa estava “a dar uma importância a Trump que ele não merece”.

No entanto, Mia Couto, considera que o Papa respondeu “de uma maneira muito elevada e superior”. Recorde-se que Leão XIV tem repetido apelos à paz face à escala da guerra no Médio Oriente.

Mia Couto destaca a reação do Papa. “Dizendo, não vou questioná-lo, não vou debater no território dele, colocou a coisa num outro território. Acho que isso é fundamental e é preciso”, sublinha.

“A reação de Trump é de quem não contava com aquilo, de repente é mais uma vez uma reação enlouquecida, quando ele se apresenta como sendo Jesus Cristo. É uma coisa fora de qualquer compreensão”, diz Mia Couto sobre a reação do presidente dos Estados Unidos.

Ouvir
  • Noticiário das 13h
  • 12 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque