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José Luis Puerto vence Prémio Eduardo Lourenço 2026

20 abr, 2026 - 15:12 • Olímpia Mairos

Escritor espanhol é distinguido pelo profundo conhecimento da cultura portuguesa e pela ponte que constrói entre as tradições ibéricas.

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O escritor espanhol José Luis Puerto foi distinguido com o Prémio Eduardo Lourenço 2026, anunciou esta segunda-feira o júri reunido na sede do Centro de Estudos Ibéricos, na cidade da Guarda.

A decisão reconhece “as qualidades de José Luis Puerto, em consonância com o espírito do prémio”, destacando o seu profundo conhecimento da língua e cultura portuguesas. O júri sublinhou particularmente o seu trabalho como tradutor de poetas portugueses, bem como a integração de elementos culturais ibéricos na sua obra poética, investigação etnográfica e estudo da tradição oral.

De acordo com a autarquia da Guarda, a 22.ª edição do galardão ficou marcada pela elevada qualidade e diversidade das candidaturas apresentadas.

Destinado a distinguir personalidades ou instituições com intervenção relevante nos domínios da cultura, cidadania e cooperação ibéricas, o prémio tem um valor de 7.500 euros e é atribuído pelos membros da direção do Centro de Estudos Ibéricos, que que junta as Universidades de Coimbra e Salamanca, a Câmara da Guarda e o Instituto Politécnico local.

Ao longo das edições anteriores, o prémio distinguiu figuras de relevo de Portugal e Espanha, entre as quais Maria João Pires, Mia Couto, Agustina Bessa-Luís, Lídia Jorge e José Tolentino de Mendonça.

Um “homem de fronteira” entre culturas

Natural de La Alberca (Salamanca), José Luis Puerto é escritor, ensaísta, etnógrafo, professor e tradutor de poesia portuguesa contemporânea. Profundamente ligado à Serra de França e à Raia Ibérica, construiu uma carreira que cruza literatura, investigação e reflexão cultural.

A sua obra estabelece uma ponte entre o local e o universal, inspirando-se no pensamento de Eduardo Lourenço e dialogando com autores portugueses como Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Miguel Torga e Nuno Júdice, que traduziu com reconhecida sensibilidade.

Definindo a poesia como um “território que ilumina e revela o ser humano no mundo”, Puerto desenvolveu uma escrita marcada por um olhar crítico e humanista, atento às questões da memória, identidade e dignidade dos mais esquecidos.

Segundo a investigadora Asunción Escribano, citada pelo município da Guarda, a sua obra ocupa “um lugar de destaque na literatura espanhola contemporânea”, distinguindo-se pela profundidade, capacidade evocativa e delicadeza estética. Desde a estreia, em 1982, com El tiempo que nos teje, até às obras mais recentes como Ritual de la inocencia (2023), Cristal de roca (2024) e La belleza de la huella (2024), o autor tem desenvolvido uma poética singular centrada no tempo, na memória e na arte.

Com esta distinção, o Prémio Eduardo Lourenço reforça a sua vocação de reconhecer figuras que contribuem para o diálogo cultural entre Portugal e Espanha, valorizando percursos que aproximam identidades e promovem uma visão partilhada da cultura ibérica.

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