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Chernobyl, 40 anos

Bruno Soares Gonçalves: ​“Chernobyl não é representativo daquilo que são as centrais nucleares atuais”

26 abr, 2026 - 13:30 • Teresa Almeida

O presidente do Instituto de Plasmas e Fusão defende que a questão tem de ser feita com base na realidade atual e não em exemplos do passado. "Todas as centrais modernas têm edifícios de contenção e operam de forma segura”, afiança.

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zona de exclusão de Chernobyl na Ucrânia Foto: Oleg Petrasyuk/EPA
A press tour to the Chernobyl exclusion zone in Ukraine. Foto: Oleg Petrasyuk/EPA
Chernobyl, central

Quatro décadas após o desastre de Chernobyl, a energia nuclear volta a ganhar espaço no debate energético e, para o presidente do Instituto de Plasmas e Fusão, Bruno Soares Gonçalves, o desafio está menos na tecnologia e mais na forma como o tema continua a ser discutido.

A realidade atual está muito longe do cenário de 1986 e ignorar isso é, para o também professor do Instituto Superior Técnico, "um erro estratégico", pelo que mais do que o passado importa olhar para o papel que o nuclear pode ter no futuro energético.

A central soviética operava sem edifício de contenção, com falhas estruturais graves e num contexto que pouco tem a ver com a produção civil de energia. Hoje, garante, a realidade é outra: as centrais modernas são desenhadas com múltiplas camadas de segurança e operam sob escrutínio internacional rigoroso, “mas isso raramente entra na discussão pública com o mesmo peso do medo”.

Sobre os receios associados ao nuclear, o presidente do Instituto de Plasmas e Fusão considera também que continuam demasiado ligados ao passado, “Chernobyl não é representativo daquilo que são as centrais nucleares atuais”, afirma, lembrando que se tratava de uma central sem edifício de contenção e com características muito diferentes das atuais.

Soares Gonçalves defende que a energia nuclear é de uma das fontes com menor impacto ambiental ao longo do tempo. "Eu costumo dizer que é uma arma de descarbonização maciça”, afirma, explicando que “ao longo do seu ciclo de vida, a energia nuclear emite apenas cerca de 5 a 6 gramas de CO₂ por quilowatt-hora”, tendo em conta todo o processo: desde a extração do urânio até ao desmantelamento das centrais.

Além das baixas emissões, destaca a sua importância em cenários de instabilidade: “A quantidade de combustível necessária para uma central operar é muito pequena e pode ser armazenada durante longos períodos”. Neste aspeto, França é um bom exemplo: no início da guerra na Ucrânia, tinha reservas energéticas para vários anos.

"Todas as centrais modernas têm edifícios de contenção e operam de forma segura”, reforça Soares Gonçalves.

Também no atual contexto de guerra, Bruno Soares Gonçalves relativiza os riscos associados às centrais nucleares: "Não é expectável que sejam atacadas, até porque são infraestruturas críticas protegidas por convenções internacionais.”

Ainda assim, o especialista reconhece que a guerra na Ucrânia veio reforçar a importância de proteger este tipo de estruturas, “mostrou como é crítico garantir a segurança de infraestruturas que podem afetar milhares de pessoas”, diz, apontando a resiliência demonstrada pela central de Zaporizhzhia durante o conflito.

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