Cultura
Grada Kilomba regressa a Portugal com a exposição "O Fundo do Mundo"
01 mai, 2026 - 01:15 • Lusa
"Primeira grande mostra individual em Portugal, em quase uma década", é inaugurada a 30 de maio na Albuquerque Foundation, em Sintra.
A exposição com instalações em larga escala da artista Grada Kilomba, propondo uma reflexão sobre memória, história e futuro baseada no tema do mar, é inaugurada a 30 de maio na Albuquerque Foundation, em Sintra, anunciou esta quinta-feira a entidade.
Intitulada "O Fundo do Mundo", a mostra tem curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, e é apresentada como a "primeira grande mostra individual em Portugal, em quase uma década", de Grada Kilomba, na qual a artista parte uma questão central: "O que o fundo do mar nos diria amanhã, se esvaziado de água hoje?".
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Escolhendo o leito dos oceanos como lugar de memória, simultaneamente arquivo de transformações geológicas e repositório de vestígios da ação humana, a exposição aborda temas como a escravatura, o colonialismo, as guerras, as crises climáticas e os genocídios contemporâneos, na linha das áreas que Kilomba tem explorado ao longo do seu percurso artístico.
"O Fundo do Mundo" reunirá ainda obras "site specific" e em vídeo, suporte frequentemente usado pela artista nascida em Lisboa, em 1968, a residir em Berlim, na Alemanha.
A exposição marca o regresso de Grada Kilomba a Portugal, reunindo um conjunto significativo de obras inéditas no país, entre as quais "18 Verses" (2022), "Labyrinth" (2024) e "Opera to a Black Venus" (2024).
Grada Kilomba desenvolve uma prática artística centrada no "storytelling", através do qual dá corpo e voz a narrativas historicamente silenciadas, interrogando quem conta as histórias, onde são contadas e de que forma.
O seu trabalho, que atravessa performance, dança, vídeo, texto, escultura, instalação e paisagem sonora, examina a condição pós-colonial, cruzando disciplinas e suportes para abordar relações entre memória, trauma, violência e repetição histórica.
Segundo a artista, as suas obras constituem formas de "desobediência doméstica", nas quais imagens poéticas interrompem o imaginário coletivo e questionam estruturas de violência histórica presentes tanto nas narrativas como nas arquiteturas sociais e políticas, refere o comunicado da Albuquerque Foundation.
As criações imersivas concebidas por Kilomba, de grande escala exploram a relação entre o belo e o grotesco, o humano e a desumanização, recorrendo a materiais como madeira queimada, têxteis, terra, café, açúcar, cacau, barro, pedra e vidro.
"Com formas escultóricas precisas, linhas geométricas e uma paleta de cores essenciais, o trabalho de Kilomba tem sido associado a um novo minimalismo pós-colonial, articulando simplicidade formal com densidade conceptual", assinala a curadoria.
Em 2024, a artista apresentou uma grande exposição Espanha, no Museu Rainha Sofia, intitulada "Opera to a Black Venus", que também explorava temas como o oceano, a memória, resiliência e narrativas pós-coloniais.
Em 2023, foi cocuradora da 35.ª Bienal de São Paulo e, em 2024, recebeu a Cátedra Angela Davis na Universidade Goethe.
Em 2021, a artista apresentou no espaço exterior do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, a instalação performativa "O Barco", criada como metáfora sobre a História da escravatura, no âmbto da BoCA - Bienal de Arte Contemporânea.
O trabalho de Kilomba já foi apresentado em certames de arte contemporânea como a Bienalsur, em Buenos Aires (2021), a 10.ª Bienal de Berlim (2018), a Documenta 14 (2017) e na 32.ª Bienal de São Paulo (2016).
A sua obra está representada, entre outras, em coleções como a da Tate Modern, em Londres, a Rennie Collection, em Toronto, o International African American Museum, em Charleston, ou o Centro de Arte Moderna Gulbenkian, em Lisboa.
"O Fundo do Mundo" ficará patente no Pavilhão de Exposições Contemporâneas da Albuquerque Foundation, em Sintra, até 26 de setembro de 2026.
A inauguração, agendada para o dia 30 de maio, entre as 15h00 e as 18h00, será acompanhada por uma performance ao vivo concebida especificamente para este projeto expositivo, segundo a Fundação.
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