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Investigador da UTAD identifica fóssil de planta com mais de 300 milhões de anos

07 mai, 2026 - 08:16 • Olímpia Mairos

Descoberta de uma nova espécie de feto extinto esteve esquecida durante décadas num acervo histórico dos Serviços Geológicos de Portugal e foi agora recuperada por investigadores da UTAD e do LNEG.

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Um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) identificou uma planta primitiva com 303 milhões de anos no acervo histórico dos Serviços Geológicos de Portugal, atualmente à guarda do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

A planta fossilizada foi estudada pelo paleontólogo Pedro Correia e denominada Cyathocarpus felicianoi. A descoberta foi publicada na revista internacional Review of Palaeobotany and Palynology e resultou de uma colaboração com Zbynĕk Šimůnek, investigador dos Serviços Geológicos da República Checa, e Zélia Pereira, investigadora do LNEG.

“O espécime holótipo [fóssil da nova espécie] foi descrito com base na investigação de Carlos Teixeira, na década de 1940, numa coleção paleobotânica de grande valor dos Serviços Geológicos de Portugal. Esta coleção permaneceu inexplorada no seu depósito original, tendo a sua relevância sido esquecida durante quase 80 anos”, explica Pedro Correia, primeiro autor do artigo científico.

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Os exemplares agora estudados remontam, no entanto, a recolhas ainda mais antigas, realizadas no contexto da exploração mineira em Portugal.

“Estes fósseis foram recolhidos durante campanhas de sondagem realizadas nas áreas de São Pedro da Cova e Midões, na década de 1930, no âmbito do programa de avaliação dos recursos de carvão da Bacia Carbonífera do Douro”, afirmou Zélia Pereira, investigadora do LNEG e coautora do trabalho científico.

O material fossilífero foi recolhido pelos técnicos que acompanhavam as operações de perfuração, seguindo instruções para a preservação de todos os fósseis encontrados. Terminadas as campanhas, os fósseis foram guardados em dois armários de madeira nas instalações do então Serviço de Fomento Mineiro.

Carlos Teixeira (1910-1982), geólogo e paleobotânico de referência, teve acesso a este material e realizou um trabalho detalhado de revisão e identificação taxonómica, que sustentou publicações científicas relevantes em 1945.

Na década de 1960, os armários foram transferidos para São Mamede de Infesta, aquando da construção do edifício do Laboratório, onde permaneceram durante décadas praticamente esquecidos. Recentemente, a coleção voltou a ser estudada.

Nos últimos dois anos, os trabalhos conduzidos por Pedro Correia permitiram reavaliar o conjunto e identificar uma nova espécie de feto extinto do Paleozoico Superior. Em reconhecimento do contributo de Carlos Teixeira, o acervo passou a designar-se Coleção Carlos Teixeira.

Esta descoberta reforça a importância das coleções de história natural para o avanço do conhecimento científico”, sublinha Pedro Correia, destacando a relevância do estudo para compreender a diversidade dos fetos da ordem Marattiales no final do período Carbónico.

A designação Cyathocarpus felicianoi homenageia José Feliciano, geólogo do LNEG, instituição onde a coleção se encontra atualmente depositada.

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