Museus
Estado compra quadro de José Malhoa por 400 mil euros
15 mai, 2026 - 17:47 • Maria João Costa
Quadro “Os Bêbados” vai para o Museu do Abade Baçal, em Bragança. A Comissão para a Aquisição de Bens Culturais gastou mais de 648 mil euros na compra de várias obras.
É a obra em que o Estado investiu mais dinheiro. O óleo sobre tela da autoria de José Malhoa intitulado “Os Bêbados” custou 400 mil euros, segundo o relatório da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios Nacionais, divulgado esta sexta-feira.
O quadro não irá, contudo, para o museu das Caldas da Rainha dedicado ao pintor pioneiro do Naturalismo em Portugal. A Museus e Monumentos de Portugal (MPP) indica que a tela vai integrar o acervo do Museu do Abade Baçal, em Bragança.
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Questionada pela agência Lusa sobre o porquê de o quadro ter como destino o museu de Bragança, e não o Museu José Malhoa, onde chegou a estar exposto na década de 1950, fonte oficial da MMP explicou que “o museu integra no seu acervo um núcleo de obras pictóricas do Naturalismo que será valorizado com a incorporação”.
Na lista de bens adquiridos pelo Estado, em 2025, constam outros quadros. Foram investidos mais de 648 mil euros. A comissão integrou o presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal, os diretores do Museu Nacional de Arte Antiga, do Machado de Castro, do Museu Nacional de Arqueologia, do Abade de Baçal e do Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém.
Entre as adquisições está uma gravura, a partir de um desenho de Domingos Sequeira do quadro “Descida da Cruz” no qual o Estado gastou 14 mil euros, que será exposto no Museu Nacional Soares dos Reis. Este museu irá também receber uma natureza morta da autoria de Henrique Pousão.
Outro conjunto de obras em que o Estado mais investiu foram três óleos sobre tela de Carlos Botelho, das décadas de 30 e 40 adquiridas no valor de 85 mil euros. Estas obras irão integrar o espólio do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado. Este museu de Lisboa vai também receber uma peça da artista Ana Vieira, de 1999.
O Museu Nacional Machado Castro, em Coimbra, vai passar a ter no seu acervo uma escultura de Joaquim Machado de Castro, um modelo da estátua pedestre de D. José I.
A lista divulgada esta sexta-feira pela MMP dá também a conhecer os bens móveis que foram adquiridos, fora da lista. Entre eles está um manto da Rainha Dona Amélia que irá para o Palácio Nacional da Ajuda.
Há também o registo de doações e esta é curiosamente a lista mais longa. Um dos exemplos é um painel de azulejos da artista brasileira Adriana Varejão intitulado “Azulejão (Mão e Curvas), feito na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, e que irá para o Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa.
Outros bens doados e que irão para o Museu Nacional de Arte Contemporânea são uma escultura em terracota de António Pedro de 1948 e uma escultura, uma litografia e uma gravura de Jorge Vieira.
Coleção de Arte Contemporânea reforçada com 58 obras de 35 artistas
O Estado adquiriu 58 obras de arte contemporânea por cerca de 780 mil euros. Criada em 2019, a Comissão para Aquisição de Arte Contemporânea fundamenta as aquisições.
A peça mais dispendiosa é “The Tearoom”, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira que custou 79.950 euros. A peça de 2024 já esteve exposta na Casa de Serralves, no Porto, numa mostra antológica dos artistas.
Entre as aquisições de maior valor está também um conjunto de 34 óleos sobre madeira, sem título, datado de 2023, de Miguel Branco, comprado por 57.195 euros; ou três pinturas de Pancho Guedes – “Família vegetal”, 1974; “A força do seu olhar”, 1996 e “Um navio aborígene”, 2005, adquiridas por mais de 41 mil euros.
No relatório agora tornado público pela MPP, surgem outras propostas de aquisição que passam por obras de artistas como Ana Léon, António Areal, Fernando Lemos, Filipa César, Gabriela Albergaria, Joana Escoval ou Francisco Trêpa.
- Noticiário das 15h
- 08 jun, 2026









