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"A Lenda de Miragaia"

Um dos primeiros filmes de animação em Portugal estava perdido, até um cinéfilo o encontrar na Feira da Ladra

01 jun, 2026 - 19:52 • Lusa

Negativo do filme "A Lenda de Miragaia" foi adquirido e entregue à Cinemateca Portuguesa, que o espera poder exibir ao público em breve.

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Um cinéfilo encontrou à venda na Feira da Ladra, em Lisboa, um negativo do filme "A Lenda de Miragaia", considerado perdido, e entregou-o à Cinemateca Portuguesa, anunciou esta segunda-feira a instituição.

A Cinemateca Portuguesa refere, em comunicado, que o filme, de 1931, é da autoria de Raúl Faria da Fonseca e de António Cunhal (irmão de Álvaro Cunhal) e considerado "um dos primeiros filmes de animação em Portugal", que recorreu às mesmas técnicas de animação de silhueta usadas na primeira longa-metragem europeia de animação, "As Aventuras do Príncipe Achmed", de 1926.

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"O paradeiro deste filme era desconhecido até meados de maio, quando uma visita a vendedores de antiguidades na localização da Feira da Ladra em Lisboa deu, como resultado, a descoberta deste pequeno tesouro. Duarte Veloso, cinéfilo e frequentador da Cinemateca Portuguesa viu à venda o negativo, em formato de película de nitrato de celulose. Suspeitando, pelo menos, de ser de origem portuguesa, Duarte Veloso (e o seu pai) adquiriu-o para depois perceber, ao investigar mais, que tinha em mãos algo do qual se desconhecia qualquer material fílmico", refere a Cinemateca.

De acordo com a instituição dirigida por Rui Machado, o negativo, que foi depositado no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento, "encontra-se ainda em bom estado físico e aparenta estar completo".

Assim, a Cinemateca pretende fazer uma cópia para exibição em 35 milímetros e proceder à sua digitalização, esperando poder programar em breve a sua exibição.

A entrada sobre o filme na base de dados do cinema português da Universidade da Beira Interior inclui uma citação de crítico e ensaísta Manuel Félix Ribeiro (1906-1982), primeiro diretor da Cinemateca, que se refere a "A Lenda de Miragaia" como uma "verdadeira e ousada experiência" que "procurava transpor para a tela e por um processo nunca então tentado [em Portugal]" a animação de silhuetas.

Citado na mesma página, que frisava não ser conhecido o paradeiro do filme, Faria da Fonseca explicava o método: "Tudo se faz na câmara escura, foto a foto, interrompida a cada volta da manivela. Considerando os 4.000 metros, teremos 28.400 fotos isoladas".

A Cinemateca conclui o comunicado com um apelo: "Esta preciosa descoberta é a prova de que ainda há muito para recuperar e mostrar na História do cinema. Caso tenha em casa algum material fílmico cuja origem desconhece, ou conheça alguém que o tenha, saiba que pode doar ou depositar qualquer filme gratuitamente na Cinemateca Portuguesa, permitindo assegurar a sua sobrevivência a longo prazo? Ajude-nos a encontrar os elos perdidos da história do cinema português, tal como fez Duarte Veloso, a quem a Cinemateca, e todos os cinéfilos portugueses, ficarão para sempre infinitamente gratos".

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