Estreia
Luís Tinoco compõe ópera para libreto de Luísa Costa Gomes sobre Camões
05 jun, 2026 - 07:00 • Maria João Costa
“Relicário Perpétuo” estreia no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. No Teatro Camões, dias 10 e 11 de junho, a ópera de câmara leva ao palco uma criação do Prémio Pessoa, Luís Tinoco, e da escritora Luísa Costa Gomes. Joana Carneiro dirige a Orquestra Sinfónica numa ópera com encenação de Nuno Carinhas.
Com que matéria se constrói um relicário? A resposta sobe ao palco do Teatro Camões, em Lisboa, a 10 de junho. O dia não é escolhido ao acaso. É no feriado em que se celebra o Dia de Portugal, Camões e das Comunidades que estreia uma ópera dedicada ao legado do poeta de "Os Lusíadas".
Que Camões devemos celebrar ou guardar é a premissa para a ópera de câmara “Relicário Perpétuo” composta pelo Prémio Pessoa, Luís Tinoco. A obra original assinala o final das comemorações do V Centenário do Nascimento de Camões e nasceu de um repto lançado ao compositor pelo antigo diretor da Biblioteca Nacional, Diogo Ramada Curto.
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Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, o compositor explica que Luísa Costa Gomes “fez um libreto no qual utiliza excertos de textos de Camões de várias fontes, seja a lírica, o teatro ou a correspondência”.
Mas a escritora foi mais longe, explica Luís Tinoco. “Utiliza línguas daquela época e algumas que ainda não estão mortas. Os crioulos e inclusivamente uma língua reinventada pela própria Luísa”, aponta
A ópera inclui “trechos em papiamentu, negrillo e línguas inventadas baseadas no provençal e catalão”, indica a OpArt, em comunicado.
“Vai ser muito engraçado para quem esteja a ouvir. A obra vai estar legendada”, diz Luís Tinoco, que tentou traduzir também esta experiência em música ao beber inspiração em música da época de Camões.
“Eu também me aproprio de materiais que podem ir desde a música de compositores contemporâneos de Camões, Vicente Lusitano, Damião de Góis ou Duarte Lobo. Andei a fazer um bocadinho de pesquisa e de recolha de materiais de fontes diversas, mas também músicas de outros tempos históricos, por causa desse lado mais imprevisível e bem humorado da Luísa Costa Gomes”, diz Tinoco.
A ópera, que é uma tragicomédia, “passa-se num tempo histórico e geográfico que não é bem determinado”, destaca o compositor.
A Orquestra Sinfónica Portuguesa será dirigida pela maestrina Joana Carneiro e a encenação, nesta coprodução do OPART/Teatro Nacional de São Carlos, é assinada por Nuno Carinhas.
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