Vida Selvagem
Lagartos gigantes preocupam autoridades na Geórgia: população é incentivada a capturá-los ou abatê-los
06 jun, 2026 - 21:06 • Olímpia Mairos
Espécie oriunda da América do Sul já foi detetada em dezenas de condados da Geórgia e preocupa os especialistas devido ao impacto na biodiversidade, à rápida reprodução e ao risco de propagação de parasitas e salmonela.
As autoridades do estado norte-americano da Geórgia estão a apelar à colaboração da população para travar a expansão do tegu argentino-preto-e-branco (Salvator merianae), um lagarto invasor considerado uma ameaça para a fauna local. Segundo a revista People, os habitantes são encorajados a comunicar avistamentos e, quando legalmente permitido, a capturar ou abater os animais de forma humanitária.
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De acordo com o Departamento de Recursos Naturais da Geórgia (DNR), já foram identificados mais de 20 exemplares em estado selvagem nos condados de Toombs e Tattnall, no sudeste do estado. Os avistamentos estendem-se entre as localidades de Lyons e Reidsville, levando as autoridades a avaliar a dimensão real da propagação da espécie.
Originário da América do Sul, o tegu pode atingir cerca de 1,20 metros de comprimento e ultrapassar os quatro quilogramas de peso. Os especialistas alertam que a espécie possui uma grande capacidade de adaptação: desloca-se rapidamente, nada com facilidade e consegue sobreviver aos invernos da Geórgia através de um estado de dormência semelhante à hibernação, conhecido como brumação.
Desde 2018, pelo menos 30 destes répteis foram capturados ou abatidos nos condados mais afetados. Apesar dos números relativamente reduzidos, os biólogos receiam que o impacto ambiental possa ser significativo.
Ameaça à biodiversidade
Os tegus alimentam-se de ovos de aves que nidificam no solo, como codornizes e perus selvagens, mas também de crias de espécies protegidas, incluindo algumas tartarugas e jacarés. A sua dieta inclui ainda pequenos animais, frutos, vegetais, ovos domésticos, ração para animais de companhia e carcaças.
Além da predação direta, os investigadores receiam que estes lagartos possam introduzir parasitas exóticos nos ecossistemas locais ou contribuir para a propagação de bactérias como a salmonela.
Citado pela People, o biólogo Daniel Sollenberger, da Divisão de Recursos de Vida Selvagem do DNR, explica que os animais são difíceis de capturar devido à sua velocidade.
“Se não estiver em condições de utilizar uma arma de fogo ou outro método adequado, tente documentar o avistamento com uma fotografia e contacte-nos”, pede o biólogo.
Na Geórgia, a espécie não beneficia de proteção legal por não ser nativa. Por isso, os proprietários ou pessoas autorizadas podem capturar ou abater os animais durante todo o ano, desde que respeitem as normas locais e as regras de segurança.
As autoridades garantem que os tegus não representam uma ameaça direta para cães ou gatos. Ainda assim, recomendam que a ração dos animais seja guardada em recipientes fechados, que eventuais tocas sejam eliminadas e que se removam amontoados de vegetação que possam servir de abrigo.
A preocupação aumenta devido à elevada capacidade reprodutiva da espécie. Uma única fêmea pode pôr cerca de 35 ovos por ano e atingir rapidamente a maturidade sexual, fator que torna essencial uma intervenção precoce para evitar uma expansão difícil de controlar. Segundo a revista People, os cientistas acreditam que a espécie poderá continuar a expandir-se para novas áreas caso não sejam tomadas medidas eficazes.
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