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Polémica

Programa "Casados à Primeira Vista" da Austrália acusado de ocultar historial de droga e violência de parceiros

14 jun, 2026 - 01:01 • Catarina Magalhães

Participantes afirmaram terem se sentido inseguras e desprotegidas, porque desconheciam os antecedentes criminais dos parceiros. Já o Channel 9 limitou-se a afirmar que não está previsto partilhar informações pessoais ou de antecedentes entre casais.

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Depois de surgirem três acusações de noivas terem sido violadas numa edição no Reino Unido, o programa "Casados à Primeira Vista" da Austrália traz mais uma polémica, avançou no sábado a estação britânica BBC.

Participantes do programa australiano afirmaram terem se sentido inseguras e desprotegidas, porque desconheciam os antecedentes criminais dos parceiros.

"Porque é que o programa aceita esse risco? Deveria haver consentimento informado", defende uma das concorrentes da edição do ano passado. "As noivas não estão seguras e o canal está a ganhar dinheiro à custa de pessoas vulneráveis."

As verificações de cadastro criminal foram "apressadas", contou outro noivo. "Se estiverem com alguém que tem um passado duvidoso, deves ser informado disso."

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Entre os testemunhos, sabe-se que uma mulher participou no programa sem saber que o homem com quem foi dada como compatível tinha sido condenado sobre consumo de drogas. "Estive aterrorizada o tempo todo", contou a concorrente em anonimato, com medo de represálias.

Um outro marido do programa já tinha sido sentenciado por violência doméstica – algo que o programa do Channel 9 (estação televisiva que transmite o programa) escondeu alegadamente, mais uma vez, da parceira.

Durante as gravações do programa, o marido do programa atirou, segundo a mulher, um microfone contra a parede, um outro objeto contra os produtores e até lesionou a concorrente deixando uma nódoa negra ao que o parceiro respondeu: "Merda! Peço imensa desculpas."

Tal como o canal, o marido negou as alegações: "São totalmente falsas, maliciosas e uma completa distorção da realidade."

Em entrevista para a investigação "Panorama" do canal BBC, nove ex-concorrentes disseram estar desiludidos com a produção e pediram que o programa não aceite mais candidatos com antecedente criminal.

Em reação, o canal Channel 9 e a Endemol Shine Australia defenderam ter "protocolos robustos para garantir a segurança e o bem-estar dos participantes", com avaliações psicológicas e exames médicas independentes.

Porém, as companhias reconheceram um dos casos de violência doméstica e justificou a decisão de incluir o concorrente: "a condenação aconteceu há nove anos e resultou numa multa de 240 euros, sendo o nível mais baixo de gravidade para este tipo de infração".

Sobre a partilha de historial, o Channel 9 limitou-se a afirmar que não está previsto partilhar informações pessoais ou de antecedentes entre casais.

As estrelas do programa australiano também são populares no Reino Unido, sendo transmitidas no britânico Channel 4, o mesmo canal que reagiu à polémica no país, sabia das alegadas violações e acabou por retirar todos os episódios da temporada atual e das anteriores das plataformas de streaming, bem como dos canais televisivos.

Entre as acusações, uma mulher do programa disse ter sido violada e ameaçada pelo marido do programa: "ele mandava alguém atirar-me com ácido para cima".

Mas, pela Austrália, tudo está "on" e os episódios das edições "Casados à Primeira Vista" da Austrália continuam disponíveis.

O "Casados à Primeira Vista" é um formato de entretenimento internacional, com várias edições até em Portugal nos últimos anos, e tem como objetivo "casar" completos desconhecidos sem papéis legais.

O resto dos episódios desenrola na "lua de mel" e nos episódios diários da rotina dos casais, avaliando a compatibilidade entre os pares.

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