Exposição
A ira de Trump está em Serralves pela mão da artista Jenny Holzer
18 jun, 2026 - 18:13 • Maria João Costa
O Museu de Serralves inaugura a primeira exposição a solo, em Portugal, da consagrada artista norte-americana Jenny Holzer. “Wrong Answers” é a última exposição com a curadoria de Philipe Vergne como diretor de Serralves.
“É uma das raras artistas no ativo que não receia estar contra o que acontece no seu país”. É desta forma que Philipe Vergne, o diretor do Museu de Serralves que está demissionário, fala de Jenny Holzer, a artista norte-americana cuja obra é exposta numa retrospetiva a partir desta quinta-feira em Serralves.
A provar as palavras do curador, que está a trabalhar nesta exposição há seis anos, está um trabalho logo na primeira galeria que mostra o rosto do Presidente norte-americano. Donald Trump surge com um ar irado sobre várias páginas escritas.
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“Wrong Answers” é uma exposição que percorre a obra da artista que gosta de “falar a verdade sobre o poder e correr riscos”, diz Vergne, e reúne um conjunto de trabalhados em que a palavra é uma arma.
“O trabalho dela tem sido, desde o final da década de 1970, motivado por esta urgência de permanecer desperta, de manter-se alerta através das palavras, e por colocar as palavras no centro da sua criação artística”, explica o curador.
“Ela não usa qualquer palavra, mas palavras que estão sempre carregadas de significado político e, mais do que significado político, têm um significado de protesto”, acrescenta.
Um dos exemplos é o trabalho “Inflammatory Essays” (1979-82) com declarações provocadoras influenciadas pelas leituras de manifestos políticos e religiosos.
Conhecida pelas suas peças de LED com palavras ou frases a correrem, Jenny Holzer “é um ícone”, aponta Philipe Vergne. O diretor do museu que é também curador desta mostra refere que a artista “empurra a utilização do texto para um conteúdo que não é autorreflexivo, mas projeta ideias e narrativas que, na maioria do tempo, têm uma dimensão política e politicamente humana”.
Para esta retrospetiva, a artista criou dois trabalhos em colaboração com o artista de graffiti portuense Kilos. “O seu trabalho usa uma linguagem que se baseia na ideia de resistência e na divulgação de vozes de contestação e protesto”, sublinha o curador.
“Ela compreendeu muito cedo, um pouco à semelhança de Andy Warhol, que as vozes e as palavras, deviam ser públicas e não ficarem confinadas a um nicho de público. Portanto, se olharmos para o trabalho, ela realmente esgotou ou utilizou quase todos os tipos de meios possíveis. Das T-shirts, às canecas, um Trump gigante com um letreiro de LED no meio da cidade ou bonés com mensagens que estão no centro do discurso político e social”, detalha Philipe Vergne
O diretor, que está de saída para o Museu Bass, de Miami, nos Estados Unidos, juntou também, numa outra parte da exposição na Biblioteca de Serralves, uma espécie de arquivo dos trabalhos da artista
Ali, o público poderá ver os desenhos do começo de trabalho de Jenny Holzer e os textos que dão origem às instalações. “São textos que são trabalhados. Parecem sempre muito simples, muito sucintos, mas há um enorme trabalho que passa por trás, antes de chegar a essa precisão”, refere Vergne.
A exposição “Jenny Holzer: Wrong Answers” pode ser visitada no Museu de Serralves até dia 1 de novembro.
- Noticiário das 12h
- 10 jul, 2026






