Lídia Jorge vence o Prémio Camões 2026
02 jul, 2026 - 18:41 • Maria João Costa , Fátima Casanova
Distinção reconhece o conjunto da obra literária de Lídia Jorge na língua portuguesa. Escritora aceita prémio com "alegria imensa" e está "muito grata a quem pensou" nos seus livros.
Lídia Jorge venceu o maior prémio da língua portuguesa. Júri distinguiu por unanimidade a autora de "Misericórdia" (ed. D. Quixote), destacando o percurso literário e o contributo para a literatura portuguesa contemporânea.
Reunido esta tarde, o júri do maior prémio da língua portuguesa escolheu, de forma unânime, a autora de "Misericórdia", considerando-a "uma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa contemporânea".
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.
De acordo com o comunicado a que a Renascença teve acesso, o júri, que reuniu de forma virtual, destaca uma autora com "uma obra reconhecida pela análise profunda da história recente" de Portugal, "pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres".
Estreia mundial de ópera sobre o 25 de Abril inspirada em livro de Lídia Jorge
A escritora Lídia Jorge alertou hoje para a necess(...)
Depois de Adélia Prado, em 2024, e Ana Paula Tavares, em 2025, Lídia Jorge é a terceira mulher escritora consecutiva a receber o prémio, no valor de 100 mil euros.
A autora, de 80 anos, tem, nas palavras do júri, "desde o livro 'O Dia dos Prodígios', um exemplo de uma escrita que tem enriquecido o património literário e cívico-cultural da língua portuguesa".
O júri sublinha ainda a escrita em torno da guerra colonial na obra de Lídia Jorge. "‘A Costa dos Murmúrios’, de 1988, é um marco importante na sua obra, uma vez que destaca a sua experiência de vida em Moçambique e desconstrói as versões da guerra colonial sob a perspetiva de uma mulher", detalha.
Outra das obras destacadas é o multipremiado "Misericórdia", editado em 2022. "Trata a velhice, a urgência da vida, a resistência ao fim", sublinha o júri.
"A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida quotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as ruturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva", refere o júri.
Os jurados nesta edição foram de Portugal, José Carlos Seabra Pereira da Universidade de Coimbra, a poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite da Universidade de Lisboa; do Brasil a investigadora Lucia Santaella, o jornalista e historiador José Ribamar Bessa Freire; de Angola, o escritor e crítico literário Lopito Feijó e a escritora e poeta Odete Semedo da Guiné-Bissau.
Lídia Jorge tem recebido, em particular depois do livro “Misericórdia” diversos prémios, entre eles o Prémio Pessoa 2025, o Prémio Eduardo Lourenço 2023, o Médicis Étranger e Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia.
“Fico muito grata a quem pensou nos meus livros”
Lídia Jorge recebeu a notícia do Prémio Camões com “uma alegria e uma emoção muito grande”.
Em declarações à Renascença, “ainda sob o efeito da surpresa”, a escritora algarvia mostra-se honrada por entrar no grupo de autores de Língua Portuguesa “que têm este prémio com o nome de Camões”.
O poeta que deu ao mundo a epopeia “Os Lusíadas” é “o nosso génio maior da literatura portuguesa, mas ele representa também a nossa diáspora, um povo derramado pelo mundo e, como ele diz: ‘a vida pelo mundo em pedaços repartida’”, sublinha Lídia Jorge.
A escritora aceita o Prémio Camões com uma “sensação de imerecimento”, mas com uma “alegria imensa”.
Por fim, deixa uma palavra de agradecimento: “Fico muito grata a quem pensou nos meus livros e me atribuiu este prémio”.
Presidente da República felicita Lídia Jorge
O Presidente da República, António José Seguro, celebra "com muita alegria e honra" a atribuição do Prémio Camões a Lídia Jorge.
Revelada em 1980 com “O Dia dos Prodígios”, confirmada em livros tão importantes e decisivos para a literatura portuguesa como ‘Notícia da Cidade Silvestre’ (1984), “A Costa dos Murmúrios” (1988), “O Vento Assobiando nas Gruas” (2002), ou “Os Memoráveis” (2014) e o mais recente “Misericórdia”,
O chefe de Estado sublinha, em comunicado, que Lídia Jorge "construiu uma polifonia deslumbrante e trágica, comovente e cheia de inteligência sobre a natureza humana e a condição portuguesa".
Seguro destaca obras como "O Dia dos Prodígios”, "Notícia da Cidade Silvestre", “A Costa dos Murmúrios”, “O Vento Assobiando nas Gruas”, “Os Memoráveis” e o mais recente “Misericórdia”.
"A sua obra, distribuída pelo romance, conto, ensaio, crónica, teatro e poesia, abriu caminhos singulares na nossa literatura e na forma de pensar Portugal, a nossa sensibilidade, a vida das mulheres portuguesas e a memória de eventos marcantes para a história recente do nosso País", refere António José Seguro.
O Presidente considera que Lídia Jorge é um "barómetro que tem detetado os sinais de mudança e os movimentos transformadores da sociedade, sem nunca perder um cunho estético de primeira grandeza, o que faz dela uma das grandes vozes na literatura contemporânea de todas as línguas".
[notícia atualizada às 20h53, de 02/07/2026]
- Noticiário das 14h
- 14 jul, 2026










