Perto de meio milhão de portugueses fugiram das antigas colónias há 50 anos. Chamaram-lhes retornados. As irmãs Suzete, Lília e São estão entre os que deixaram tudo para trás. Neste podcast Renascença, fazemos a viagem com elas: da fuga de Porto Alexandre aos dias no Hotel do Mar, do filho que emigrou para Angola até os encontros para reviver o passado.
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Porto Alexandre, Angola. As irmãs Fernandes crescem ao som do mar, dos bailes e da rádio que fala de um país distante. A guerra colonial, ali tão perto, é quase paisagem. Mas quando a revolução chega à metrópole, tudo muda. É o início do fim da vida em África para perto de meio milhão de portugueses.
Outubro de 1975. Em vésperas da independência de Angola, as três irmãs Fernandes embarcam no último navio de Moçâmedes para Luanda, para daí voarem até Lisboa. Nos aeroportos, o caos é total: aviões sobrelotados, filas, fome. No ar, a TAP multiplica voos. Em terra, o IARN ergue tendas e registos.
Entre 1975 e 1977, milhares de retornados são alojados em hotéis, pensões e parques de campismo. Em Sesimbra, o Hotel do Mar acolhe as três irmãs Fernandes. À janela, o oceano é o mesmo que em Porto Alexandre, mas tudo o resto mudou. Durante um ano e meio, vivem entre a reinvenção e a perda, fazem amigos. Cinquenta anos depois, é tempo de revisitar o hotel que foi casa.
Em 2025, ainda há vidas que decorrem na sombra da Ponte Aérea. Filho de uma das irmãs Fernandes, Jorge cresce em Portugal a ouvir histórias de um país que nunca viu. Em 2011, emigra para Luanda e sofre um choque. Fernando e Norberto, dois irmãos de Benguela, separados pela independência de Angola, recordam o passado a partir de margens opostas.
Em Almeirim, há quem dance, quem chore e quem conte pela milésima vez as mesmas histórias. São os Kimbares, filhos de Porto Alexandre, reunidos mais uma vez.