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"Leite de burra não é a galinha dos ovos de ouro"

12 abr, 2013 • Olímpia Mairos

O alerta é da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA), preocupada com a procura crescente de animais para a produção de leite de burra.

Face à crescente procura de animais para a produção de leite, a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) acaba de emitir um comunicado em que chama à atenção para os perigos que podem advir da produção intensiva de leite de burra e para a necessidade de preservar o "bem-estar animal". 

À Renascença, Joana Conceição, da AEPGA, deixa claro que não apoia a produção de leite de burra, enquanto empreendimento de exploração intensiva de gado, e considera que esse não é um caminho desejável para a preservação e valorização do burro mirandês.

"A prioridade tem que ser o bem-estar dos animais” e, por isso, “estamos a alertar as pessoas para não encararem a produção de leite como a galinha dos ovos de ouro”, refere a técnica, que alerta para as consequências negativas que podem surgir para a raça mirandesa.

"Num sistema de produção intensiva, a cria é separada da mãe durante o dia, ficando na sua companhia apenas durante a noite, o que pode causar stress e ansiedade nos animais”, explica Joana Conceição. Mas as consequências não se ficam por aqui. O stress e a ansiedade dos animais podem conduzir "ao enfraquecimento do sistema imunitário e à perda de peso, o que pode por em causa o ritmo de crescimento das crias, bem como a sua capacidade de resistência a doenças”.

O alerta da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, com sede em Atenor, Miranda do Douro, surge numa altura em que se verifica uma procura significativa de leite de burra para diversas aplicações, de que se destaca a cosmética.

A AEPGA é a entidade detentora do Livro Genealógico do Burro Mirandês, que regista cerca de 800 fêmeas reprodutoras.