04 abr, 2025 • Alexandre Abrantes Neves
A eurodeputada socialista, Ana Catarina Mendes, defende que é “evidente” que Portugal deve utilizar todos os instrumentos do pacote de defesa da União Europeia, mesmo se isso significar perder o excedente orçamental de 0,7% registado em 2024.
No primeiro episódio do podcast “Isto não é só Europa”, da Renascença e EuranetPlus, a antiga ministra dos Assuntos Parlamentares lamenta a falta de “firmeza” e de “visão” do ministro das Finanças nesta matéria.
Em causa, está a entrevista de Joaquim Miranda Sarmento ao jornal britânico Financial Times esta semana e onde o ministro afirma que os gastos com defesa não podem pôr em causa a “dura conquista” de ter as contas públicas a verde.
“Fiquei inquieta (...) É uma má desculpa do senhor ministro. Com estas regras, que são as regras do PRR, não há excedentes orçamentais que fiquem penalizados ou não há défices que se venham a realizar, porque essas normas estão suspensas no Pacto de Estabilidade”, considerou a socialista, que aproveitou também para apontar o dedo ao ministro da Defesa.
Isto não é só Europa
A União Europeia quer canalizar as poupanças que t(...)
“Não sinto muita firmeza nem na entrevista ministro das Finanças, nem nas posições públicas – aliás, que se têm ouvido pouco – do ministro da Defesa. (...) Nós estamos a falar da defesa da Europa, nós estamos também a falar na defesa da democracia. É bom não brincar com aquilo que construímos nos últimos 50 anos em Portugal e nos últimos 75 na Europa”, alertou.
Sobre as prioridades deste plano, Ana Catarina Mendes assinala a aposta na modernização e especialização dos sistemas de comunicação, radares e drones. Estes são investimentos em nichos de mercado que “não têm a dimensão da Alemanha, Itália ou Espanha”, mas que são “absolutamente estratégicos” para Portugal – e que não podem ficar travados pela crise política, como está a acontecer com o Plano Recuperação e Resiliência (PRR).
“Espero que as eleições de 8 de maio tragam estabilidade ao país, porque eu acho que nós precisamos todos, num contexto de incerteza internacional, de estar mesmo focados no que é essencial. E, a mim, parece-me essencial que Portugal tenha uma palavra muito ativa e muito decisiva neste redesenhar da defesa da Europa”, rematou.