Conversa de Eleição
A semana começa com a análise de Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro sobre o que se passa no país. Às segundas-feiras é dado o pontapé de saída com a conversa política que faltava. Para ouvir na Edição da Noite, depois das 23h. Conversa de Eleição é um programa com moderação da jornalista Filipa Ribeiro que pode ouvir também em podcast.
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Pacto na Saúde: "É jogada tremendamente arriscada" do Presidente

Conversa de Eleição

Pacto na Saúde? É "jogada extremamente arriscada" do Presidente

11 mai, 2026 • Filipa Ribeiro


Miguel Poiares Maduro alerta para o risco que corre António José Seguro no compromisso de conseguir um Pacto na Saúde. Fernando Medina reconhece que consenso a ser liderado por Adalberto Campos Fernandes vai ser "difícil" tendo em conta a divisão entre PS e PSD.

O antigo ministro do PSD Miguel Poiares Maduro considera que avançar com um Pacto na Saúde é uma "jogada extremamente arriscada" de António José Seguro. Também o socialista Fernando Medina reconhece que consenso será "difícil".

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O pontapé de saída foi dado pelo Presidente da República no final do mês de abril, quando anunciou que as conversações entre entidades e partidos serão lideradas por Adalberto Campos Fernandes. O antigo ministro da Saúde já teve a sua primeira reunião há uma semana com Ana Paula Martins, atual ministra da Saúde. Nos últimos dias, os partidos políticos também se apressaram a avançar com os nomes que os vão representar no processo.

No programa Conversa de Eleição da Renascença, o social-democrata Miguel Poiares Maduro realça que a iniciativa pode dar "imensos créditos e uma vitória política" a Seguro, assim como, uma "forte derrota".

Pacto na Saúde é "jogada extremamente arriscada" de Seguro
Pacto na Saúde é "jogada extremamente arriscada" de Seguro

O antigo ministro do PSD diz que Seguro está a ir além de Marcelo Rebelo de Sousa, colocando em si a "responsabilidade" e tornando-se "a face do fracasso da inexistência do Pacto para a Saúde". Miguel Poiares Maduro entende que, "ao emprestar um enorme capital político", António José Seguro irá "tornar mais difícil aos partidos políticos – nomeadamente o que está no Governo e ao PS que é o seu partido de origem – que não colaborem ativamente na procura do compromisso".

Ainda assim, Poiares Maduro considera "extraordinariamente arriscada" a jogada do Presidente da República. "Se for bem-sucedido, será uma vitória política e uma marca muito grande, porque é uma nova forma de exercício dos poderes presidenciais. Por outro lado, se não for bem-sucedido, é uma derrota importante logo no início do exercício do seu mandato presidencial", adverte.

Do lado dos socialistas, Fernando Medina reconhece a dificuldade do desafio. O antigo ministro das Finanças fala em "inovação" do Presidente da República, mas enaltece as posições diferentes de PS e PSD em matérias de saúde. "As posições dos dois maiores partidos encontram-se muito afastadas", começa por notar.

Fernando Medina realça que o Partido Socialista "sempre fez uma aposta grande no fortalecimento do Serviço Nacional de Saúde e teve sempre alguma dificuldade em encaixar a relação com o setor privado2 enquanto que o PSD "nos últimos anos apostou numa agenda de favorecer o setor privado de atividade prestadora de serviços" e por isso considera que ser á "difícil" conseguir um entendimento.

PTRR? "The proof of the pudding is in the eating" e a "nova rotulagem"

Miguel Poiares Maduro recorre a uma expressão inglesa – "The proof of the pudding is in the eating" ("A prova do pudim está em comê-lo") – para se expressar sobre o programa do Governo – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).

Para o social-democrata, "só se sabe se os programas são bons depois de executados". Ainda assim, o antigo ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional do PSD diz que "não lhe parece mal" o que foi apresentado do PTRR e que não fica "chocado" com o facto de algumas verbas estrem já previstas noutros programas. Miguel Poiares Maduro considera essa "uma forma normal de alinhar melhor as verbas".

O social-democrata diz ter "confiança" na capacidade de alguns ministros em como o PTRR será cumprido, mas sublinha "que os portugueses também já estão muito cansados de ver programas, apresentações e powerpoints".

Já Fernando Medina considera que o Governo se "precipitou" e que a própria apresentação "lhe tira credibilidade" ao não especificar detalhes. Noutro plano, a nível macroeconómico, o antigo ministro das Finanças considera que o novo programa apenas coloca "um novo rótulo" a medidas já anunciadas.

O socialista entende, contudo, que o programa tem as prioridades bem definidas, mas avisa para a impossibilidade de Portugal concretizar as perspetivas de crescimento económico ao mesmo tempo que são apresentados planos como o PTRR.

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