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O podcast de cinema e séries da Renascença feito por três jornalistas que, nas horas vagas, consomem muuuuito conteúdo, para vos dizer exatamente o que não podem perder.
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De Bridgerton a Heated Rivalry. Afinal, o que faz um coordenador de intimidade?

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De Bridgerton a Heated Rivalry. Afinal, o que faz um coordenador de intimidade?

12 fev, 2026 • Daniela Espírito Santo , Inês Braga Sampaio , João Malheiro


Sabiam que já existem quatro coordenadoras de intimidade a trabalhar em Portugal? O Watch Party desta semana aproveita a "boleia" do Dia dos Namorados para falar com Teresa Olea Molina, que nos explica o papel essencial desta nova profissão na criação de ambientes seguros para cenas íntimas no cinema e nas séries. Aproveitem, também, para ver a recomendação da primeira coordenadora de intimidade no país: Mrs. Fletcher.

Qual é o papel e a importância da coordenação de intimidade num "set" de cinema ou televisão? É essa a pergunta a que o "Watch Party" desta semana responde, com Teresa Olea Molina, a primeira coordenadora de intimidade a trabalhar em Portugal.

O podcast de cinema e séries da Renascença não passa ao lado do Dia dos Namorados, que se comemora no sábado, dia 14 de fevereiro. E com fenómenos como "Bridgerton" e "Heated Rivalry", em que as cenas românticas ganham protagonismo, também assume cada vez maior importância a forma como são representadas no ecrã — e como se desenrolam durante as filmagens.

"Existe uma dinâmica de poder inerente, existem hierarquias muito claras dentro do set, e a ideia da coordenação de intimidade é poder ser essa ponte, que elimina essas dinâmicas. Dar uma liberdade extra aos atores, a tomar decisões", explica Teresa Olea Molina.

A coordenadora de intimidade, que conta com experiência em produções nacionais e internacionais, salienta que o objetivo é criar "um processo de boas práticas e trabalhar a intimidade desde um lugar de intimidade e respeito". Há ainda outro objetivo: garantir que as cenas íntimas são bem traduzidas, a nível estético, do papel para o ecrã.

"A intimidade torna-se uma espécie de fotografia", refere Teresa Olea Molina, que acrescenta que o coordenador de intimidade acaba, também, por ajudar a coreografar a cena: "Muitas vezes, quando estamos em cena, está a acontecer algo muito bonito, há uma mão a fazer uma carícia na cara do companheiro, mas a câmara não está a apanhar isso. É ter a coordenação de intimidade a poder ver como está a ficar o plano e poder dizer: 'Olha, isso está muito bonito mas não está a entrar.'"

Um antes e um depois do #MeToo

A convidada do "Watch Party" desta quinta-feira também aborda casos como os de "Anora", em que a jovem atriz Mikey Madison foi questionada se queria um coordenador de intimidade, e das alegações contra Kevin Costner nos filmes "Horizon: Uma Saga Americana" (realizados e protagonizados pelo ator), que foi acusado, por uma dupla, de impor uma cena de violação que não estava no argumento.

"Às vezes, são atores e atrizes muito jovens, atores e atrizes que vão ter pela primeira vez um papel de protagonista com um realizador super famoso. Qual é a capacidade real de tomar uma decisão nesse momento? Podes dizer sim, mas vais ter medo, talvez, de ser julgada como difícil ou de criar mais complicações", assinala.

Nesse sentido, Teresa Olea Molina admite que o #MeToo marcou uma viragem na forma como a intimidade é abordada nos "sets" de Hollywood, com novas regras e protocolos, de forma a criar "um espaço de segurança para as pessoas".

"O que o #MeToo fez foi abrir os olhos e perceber que há muitas práticas que não deviam ser feitas assim. Que podiam ser feitas de um outro lugar que é muito mais respeitoso com toda a equipa, os atores, a direção, com todos. A criação da coordenação de intimidade não acho que seja uma moda, é uma forma de trabalho que veio para ficar", afirma.

A maioria das séries mais populares já não dispensa coordenadores de intimidade. Espreitem o episódio desta semana e fiquem a conhecer melhor a profissão de Teresa Olea Molina.

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