02 abr, 2025 • Aura Miguel
João Paulo II morreu numa feliz coincidência: a data da sua morte confirmou a inseparável ligação do Papa a Nossa Senhora de Fátima e a Cristo, o Redentor do mundo.
Naquela noite, há 20 anos, a Praça de São Pedro encheu-se para rezar o terço pelo Santo Padre em agonia. Nos intervalos de cada dezena, os fiéis cantavam o “Avé de Fátima”. Foi assim, pelas 21h37 (hora italiana) que chegou a notícia da sua morte.
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O Papa mariano do “Totus Tuus”, que sempre elogiou a prática constante do rosário e o recitava frequentemente em público, nos primeiros sábados de cada mês (devoção pedida pela Virgem, nas aparições de Fátima), morreu no primeiro sábado de abril.
Nossa Senhora, cuja “mão materna” tinha desviado a bala mortal, salvando milagrosamente o “bispo vestido de branco” do atentado de 13 de maio de 1981, veio agora acolhê-lo na hora da sua morte, levando-o consigo para o Céu.
Mas aquela noite de 2 de abril também coincidiu com a Festa da Divina Misericórdia, cuja grande devoção nasceu em Cracóvia e que tanto marcou Karol Wojtyla na sua juventude e idade adulta.
A morte de João Paulo II, o grande apóstolo da Misericórdia de Deus, o Papa do “Não tenhais medo, abri as portas a Cristo”, ocorre durante as celebrações das vésperas liturgias desta Festa que ele próprio instituiu, a partir das revelações de Cristo a uma religiosa polaca, Santa Faustina Kovalska.
No fundo, o “dies natalis” deste grande Papa foi duplamente abençoado por Maria e Jesus, num abraço final que selou o envolvimento do seu pontificado com os portugueses e os polacos, mais concretamente, com Fátima e Cracóvia.
Sem pretensões exaustivas, é possível centrar o seu vasto pontificado na centralidade de Cristo e na consagração a Maria. Nesses dois pilares assenta, o essencial do seu magistério, o extraordinário impulso missionário, a sua força transformadora capaz de alterar sistemas políticos e económicos, a frescura e o dinamismo dos seus encontros e viagens pelo mundo fora, a atratividade junto de sucessivas gerações de jovens e a liberdade com que, nos últimos anos da sua vida, não escondeu a doença e a fragilidade.
João Paulo II gostava de repetir que o seu pontificado tinha durado apenas três anos (desde o dia em que fora eleito, a 16 de outubro de 1978, até ao dia do atentado, a 13 de maio de 1981) e que, desde então, a vida lhe tinha sido milagrosamente devolvida por Nossa Senhora.
Por três vezes, o Papa polaco veio a Portugal, visitou o Santuário de Fátima e rezou na Capelinha das Aparições.
Entre os muitos sinais de gratidão que manifestou à Virgem de Fátima, está a bala mortífera que Lhe ofereceu, hoje encastoada na Coroa preciosa que a Imagem original usa nas principais celebrações de 13 de maio a 13 de outubro.
Uma ligação tão entranhada à sua vocação de Pedro que só poderia ter terminado com Cristo a escancarar-lhe as portas do Céu, naquele primeiro sábado, 2 de abril de 2005, 24 anos depois do atentado que sofrera na Praça de São Pedro.