26 mar, 2025 • André Rodrigues
A Federação Portuguesa de Futebol foi alvo de buscas da Polícia Judiciária devido a suspeitas de corrupção e fraude fiscal. A Operação Mais-Valia - assim se chama - já tem dois arguidos.
Está em causa o processo de venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol, em 2018. O imóvel da rua Alexandre Herculano, em Lisboa, foi vendido por 11 milhões e 250 mil euros, mas a Federação declarou um valor de 3,9 milhões - portanto, mais de 7 milhões de euros de diferença entre valores, o que levanta suspeitas de manipulação de preços, corrupção e fraude fiscal.
Paulo Lourenço, antigo secretário-geral da Federação e António Gameiro, que foi deputado do PS até 2023 e foi o mediador do negócio da venda do edifício da Alexandre Herculano, em representação dos compradores. São estes os principais visados neste processo. Fonte judicial citada pela agência Lusa avança que ambos já foram constituídos arguidos.
Mas pode haver mais. Isso mesmo já foi admitido pelo diretor da Polícia Judiciária, uma vez que a investigação continua, com a análise de todo o material apreendido. Foram 20 mandados de busca em vários locais, incluindo habitações, empresas e instituições bancárias.
Aparentemente, não, isso também foi clarificado pelo diretor da Polícia Judiciária.
De resto, Luís Neves apareceu ontem ao final da tarde ao lado de Fernando Gomes na tomada de posse como presidente do Comité Olímpico para deixar essa garantia de que o antigo presidente da Federação não é visado nesta operação Mais-Valia, assim como Tiago Craveiro - ex-diretor-geral da Federação.
Não há, nesta fase, qualquer indício que envolva estes dois nomes. Aliás, o diretor da Judiciária assegurou que os suspeitos desta Operação Mais Valia estão bem identificados e, aparentemente, Fernando Gomes não está nessa lista.
Por agora, não. Para já, esta investigação está centrada na venda da sede da FPF.
Contudo, o diretor da PJ diz que há a possibilidade de surgirem mais envolvidos e novos desenvolvimentos que podem dar origem a novos processos e aí já não é possível afirmar com toda a certeza que o nome de Fernando Gomes não venha a ser envolvido.
Certo é que a Judiciária continua a analisar as provas recolhidas e o objetivo de apurar os factos e chegar a uma conclusão o mais depressa possível.
Surpreendida com as buscas, mas determinada na defesa dos seus interesses. Em comunicado, a nova direção liderada por Pedro Proença - que nada tem a ver com os acontecimentos que estão a ser investigados - confirma que vai constituir-se assistente neste e noutros processos que possam lesar os interesses da Federação e garante também que vai ser intransigente e inflexível com quem prejudique o património e a credibilidade da Federação.