02 abr, 2025 • Sérgio Costa
Donald Trump prepara-se para anunciar tarifas aos produtos importados pelos Estados Unidos. O presidente norte-americano chama a este dia o “Dia da Libertação”.
Na verdade, não se percebe bem o que de libertador terá este dia, mas Trump apelidou de “Dia da Libertação” para a América por ser um ponto de viragem que, na visão do presidente do EUA, vai permitir recuperar dinheiro que o país tem perdido nas relações comerciais internacionais. Na verdade, este pode ser o dia que marca o início de uma verdadeira guerra comercial.
São taxas que visam os bens que entram nos EUA que irão enfrentar o mesmo nível de taxas que os produtos norte-americanos sofrem quando são exportados. Na Europa está em causasobretudo a taxa de IVA que é aplicada aos bens norte-americanos.Daí o termo recíprocas. Os analistas assumem que os produtos que são vendidos para os EUA vão sofrer uma taxa adicional entre 10 a 25% do custo inicial.
Automóveis e peças para carros, produtos agrícolas, Produtos farmacêuticos, Cobre, Produtos tecnológicos, entre outros. São bens que ficarão mais caros para os americanos, e cujas tarifas vão dificultar as empresas norte-americanas que os importam e precisam desses produtos para a sua atividade. Claro que também vai prejudicar os países vendedores porque certamente o volume de vendas vai baixar
Inicialmente a Casa Branca falou de 15 países, aquilo a que o secretário do tesouro norte- americano apelidou de “dirty 15”, literalmente “os 15 sujos”. Entre eles estão a China e todo o conjunto da União Europeia, o que inclui Portugal.
É difícil calcular, mas o Governo admite consequências. No entanto, o ministro das Finanças, por exemplo, já veio dizer que acredita que as empresas são resilientes e que as famílias terão níveis de poupança suficientes para aguentar um cenário mais negativo
Entre os setores mais afetados por essas tarifas estão os produtos farmacêuticos, a borracha e a cortiça, que representam uma parte considerável das exportações nacionais. No ano passado, as exportações de Portugal para os EUA ultrapassaram os 4,9 mil milhões de euros, sendo os medicamentos responsáveis por aproximadamente 1,1 mil milhões desse valor.
Só para termos uma ideia do que pode estar em causa, 4,9 mil milhões de euros dariam para construir 30 estádios do Dragão.