03 abr, 2025 • Alexandre Abrantes Neves
O que é que Trump anunciou exatamente?
O presidente dos Estados Unidos anunciou a aplicação de novas tarifas sobre produtos importados de vários países, incluindo membros da União Europeia. No caso europeu, as tarifas serão de 20%, mas os países mais penalizados são asiáticos, como o Camboja (49%) e o Vietname (46%). Trump apresentou estas medidas como "tarifas recíprocas", alegando que correspondem a metade do valor das taxas atualmente aplicadas por esses países aos produtos americanos.
Os números apresentados por Trump são verdadeiros?
Há dúvidas significativas sobre a veracidade dos números divulgados. Investigações realizadas por vários órgãos de comunicação indicam que as contas da administração Trump não refletem apenas as tarifas , mas incluem também taxas de importação e dados sobre o défice da balança comercial. Assim, os valores apresentados podem estar distorcidos e não corresponder à realidade, o que levanta preocupações sobre a fundamentação das medidas.
Quais foram as primeiras reações ao anúncio?
As bolsas reagiram de imediato, com muitas a abrirem no vermelho. Nos Estados Unidos, o principal índice caiu mais de 4% no arranque da sessão. A Comissão Europeia declarou que pretende iniciar conversações com Washington, mas advertiu que responderá com medidas próprias caso não se chegue a acordo.
Qual pode ser o impacto para Portugal?
Portugal mostra-se preocupado com as novas tarifas. O ministro da Economia descartou uma negociação direta com os Estados Unidos, optando por aguardar orientações da União Europeia. Os Estados Unidos são o quarto destino das exportações portuguesas e o principal fora da União Europeia. Indústrias como a da borracha, calçado, medicamentos, automóveis e vinhos poderão ser particularmente afetadas.
Há setores que podem beneficiar com estas medidas?
Sim. A Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário considera que esta pode ser uma oportunidade. Segundo o presidente da associação, Vítor Poças, os principais concorrentes neste setor enfrentarão tarifas mais elevadas do que as aplicadas a Portugal, o que poderá tornar os produtos portugueses mais competitivos no mercado norte-americano.