26 fev, 2025
As sondagens não se enganaram quanto às eleições na Alemanha. A extrema direita (AfD) duplicou os seus votos, mas não fará parte do governo presidido pelo partido democrata-cristão.
O novo governo alemão vai ter pela frente uma gigantesca tarefa. Além de tirar a economia da recessão em que se encontra há mais de dois anos, o governo de Merz terá de assumir a liderança de uma Europa que já não pode contar com os EUA para a proteger.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, e Elon Musk tinham mostrado a sua preferência nas eleições alemãs – vitória do partido de extrema direita AfD, que ficou em segundo lugar e não fará parte do governo de Berlim. E Trump, que é de facto o líder mundial da extrema direita, pôs em dúvida que os EUA venham a cumprir o artigo 5º do Tratado da NATO (o ataque a um país membro é um ataque a todos os países da NATO), em caso de guerra.
Ou seja, os EUA deixaram de garantir a segurança dos europeus, o que representa uma alteração brutal nas relações entre os EUA e a Europa. Trump trata os problemas europeus diretamente com Putin e permite que este beneficie de inúmeras vantagens, sem contrapartidas.
Não será exagero dizer que, para Trump, a Ucrânia e os países europeus são desagradáveis irritantes, que importa ignorar e afastar das conversas diretas com Putin. Entretanto, Trump demitiu o chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, além de outros oficiais de topo no Pentágono.