26 mar, 2025
A maioria dos países europeus encara hoje como um imperativo investir a sério na defesa. Há o caso notável da Polónia que, por estar perto da Rússia e por não confiar nos EUA de Trump, modernizou de forma espetacular as suas forças armadas, que em breve serão as mais poderosas da Europa. E a Polónia terá conseguido tal resultado sem, ao que parece, ter prejudicado a sua política social.
Na Alemanha os partidos entenderam-se para afastar a “norma travão”, inscrita na constituição, que limitava a despesa pública. Despesa que os alemães querem ver investida na defesa.
O imperativo de investir na defesa, depois de décadas durante as quais os europeus se sentiam seguros graças à proteção dos EUA, está a reforçar a tendência para a unidade europeia. Além de ser um fator de impulso à integração europeia, este novo clima político tornou a UE mais próxima do Reino Unido, cujas forças armadas são das mais preparadas.
Fala-se agora muito de indústrias de defesa, setor que se procura reanimar. Mas importa que os países europeus se entendam para eliminarem as inúmeras diferenças nas características de armas e munições, de país para país. Seria errado manter todas essas diferenças, que travam produções mais elevadas.
Entre nós, um dos efeitos desta prioridade à defesa será os políticos darem importância às questões militares. Portugal deve a democracia aos militares. Mas depois de a democracia se ter enraizado no nosso país, as questões militares raras vezes atraíram os governantes. Agora, tudo deve mudar.