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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Marine Le Pen e a democracia

02 abr, 2025 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O estilo “suave” da extrema-direita de Marine Le Pen conquistou-lhe um lugar de relevo na política francesa. As sondagens davam-lhe o primeiro lugar na corrida à presidência. Depois da sentença que lhe impede a presidência, a União Nacional não voltará a ser um partido de protesto.

Marine Le Pen interpôs recurso da sentença que a condenou por ter pago a assessores do seu partido com fundos do Parlamento Europeu. O seu grande objetivo de presidir à República francesa parece não poder ser atingido em 2027.

Por dois motivos. Primeiro, porque uma decisão sobre o seu recurso poderá não chegar a tempo para Marine Le Pen se candidatar à presidência. Depois, e mais importante, porque não parece provável uma decisão favorável a ela sobre a sentença que a condenou, pois essa sentença se afigura bem fundamentada.

Claro que M. Le Pen e os seus apoiantes se apressaram a classificar aquela sentença de um golpe político para impedir que Marine viesse a suceder a Macron. Mas importa lembrar que ela já conquistou um importante lugar na política francesa. O seu partido, a União Nacional, detém o maior grupo parlamentar na Assembleia. Por isso, se ela quiser, faz cair o governo da responsabilidade do presidente Macron.

Marine Le Pen chegou até aqui moderando o seu partido. Sucedeu a seu pai, Jean-Marie Le Pen, que negava o Holocausto e dizia barbaridades. Por isso foi afastado do partido pela sua filha.

Como será encarada esta derrota de Marine Le Pen nos outros partidos europeus de extrema-direita? O estilo moderado de M. Le Pen resultou para conquistar votos. Mas não conseguiu aproximar-se da presidência.

Para quem se preocupa com a saúde da democracia o estilo “suave” de Marine é o mais perigoso, porque mais eficaz. Ter perdido a oportunidade para se aproximar do Eliseu, onde residem os presidentes de França, é uma derrota. Mas Marine Le Pen está longe da morte política. O seu partido não voltará a ser um partido de protesto.

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