25 mar, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos
O comentador da Renascença João Duque considera que o pessimismo dos portugueses é sinal de consciência.
Num comentário ao Eurobarómetro, que diz que 35% das portuguesas acreditam que o nível de vida vai diminuir nos próximos 5 anos, o economista destaca que “as pessoas são profundamente afetadas pela conjuntura e pelas notícias que acabam de ouvir”.
Lembrando que temos um enquadramento que vai obrigar um esforço enorme de guerra, João Duque refere que “essa é a pressão que neste momento está a ser exercida por todos os cidadãos comuns, que percebem que os tempos que aí vêm são de fazer face a um esforço muito grande” em termos de defesa.
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O pessimismo “é a reação normal perante uma notícia que tem sido vinculada com muita força, com muita pressão, percebendo até que a Alemanha alterou a sua própria constituição para poder fazer face a uma alteração do orçamento - um déficit absolutamente gigantesco para eles -, para poder fazer face também a esse esforço de guerra”, assinala.
O Barómetro de Inverno do Parlamento Europeu mostra que os portugueses continuam preocupados com a inflação, mas estão acima da média europeia a favor de um maior reforço da defesa europeia para que a Europa reforce a sua posição no mundo.
“Eu acho que é por essa via, não é pela via do rendimento individual que as pessoas estão a percecionar que a inflação vai comer-lhes o rendimento, não é tanto por essa via, ou que vai haver um desempenho da economia catastrófico. Portanto, não é por aí, mas é mais por aquilo que o Estado provavelmente vai deixar de poder dar”, sublinha.
“As pessoas têm ouvido que o dinheiro ou vai para a manteiga ou para os canhões (…). O que o Estado vai fazer é dirigir muito do seu esforço para um esforço de guerra, não percebendo que pode não ser afetado o seu rendimento no imediato”, explica.
João Duque realça ainda que “aquilo que era um orçamento equilibrado, que era visto como esforços de guerra, estavam dentro do orçamento, agora pode-se dizer, bom, se calhar isto fica à parte, é reconhecido de uma maneira diferente, porque há a dívida que vai ser gerada para fazer face a esse aumento de despesa, que não tem que ver propriamente com o orçamento direto”.