11 jun, 2024 - 08:50 • Francisco Sousa
Dois mil e vinte e quatro será a 20.ª hipótese de redenção inglesa desde 1966 (contando apenas com as fases finais atingidas). Em busca da segunda grande conquista internacional, a equipa de Gareth Southgate entra para este Campeonato da Europa com o estatuto de clara favorita a arrebatar o Grupo C e como uma das principais candidatas a vencer o troféu.
A fase de qualificação foi tranquila, apesar de nem todas as exibições terem sido particularmente convincentes. Tudo isto é bastante meritório se tivermos em conta que Itália e Ucrânia foram adversárias da seleção dos ‘três leões’.
A lista de Southgate para a Alemanha entusiasma, até porque valoriza mais do que noutras alturas as performances de vários jogadores durante a temporada, sobretudo se pensarmos em vários nomes da primeira lista que não jogam em equipas de topo.
Só o Crystal Palace colocou na equipa nacional inglesa o central Guéhi, o guardião Henderson, o criterioso médio Adam Wharton e o talento puro e desconcertante de Eberechi Eze.
Mas há mais exemplos, desde os já regulares Konsa e Watkins do Aston Villa, ao central do Brighton Lewis Dunk, passando pelos extremos Jarrod Bowen (West Ham) e Anthony Gordon (época brutal no Newcastle) e pelo inevitável Ivan Toney, goleador a recuperar ‘da queda em desgraça’ do envolvimento em apostas.
Harry Kane. Os candidatos a figura inglesa eram mais do que muitos, mas Kane continua a ser o porta-estandarte, líder de balneário e possivelmente um dos melhores jogadores do mundo sem títulos (até ver...) da história do futebol. A época no caótico Bayern confirmou tudo aquilo que já sabíamos sobre ele: é letal na cara do golo, tem uma diversidade de recursos brutal para finalizar e é exemplar a baixar para criar vantagens em apoio e a solicitar colegas no passe.
Esta é também a seleção que apresenta algumas das principais figuras em números e no poder de decisão nas respetivas equipas na época europeia: Phil Foden (melhor jogador da Premier), Harry Kane, Jude Bellingham, Cole Palmer, Bukayo Saka ou Declan Rice.
Talento não falta, qualidade técnica tão pouco, o que será do agrado de Gareth Southgate, na procura por um futebol harmonioso, dominador e incisivo no ataque ao último terço.
O 11 base não será complicado de definir, talvez com exceção aos constrangimentos na linha defensiva: Pickford na baliza, Walker a lateral-direito (porventura com o adaptado Konsa como alternativa), Stones e Guéhi como prováveis titulares no centro e Trippier como destro a partir da esquerda.
O duo de médios deverá ser completado por Alexander-Arnold (aqui a assumir em definitivo o papel de construtor interior, mas com flexibilidade posicional) e o completo Declan Rice (distribui, equilibra e chega à frente para rematar).
A partir da direita, o rasgo e visão para a baliza de Bukayo Saka, com o híbrido entre médio-ofensivo e segundo avançado chamado Bellingham a surgir nas costas do goleador-construtor Kane, num espaço onde Phil Foden adora entrar sem pedir licença para criar jogadas, meter passes de rutura e finalizar.
Tudo isto e muito mais, se pensarmos em alternativas como Palmer, Watkins ou Gordon. O ataque será porventura o mais robusto e com impacto decisivo de todo o torneio, mas ficam as dúvidas sobre a composição da defesa, até porque parece faltar um nome consagrado para a esquerda (perante os constantes problemas físicos de Luke Shaw).