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Futebol Internacional

Quando Guardiola tentou levar Neymar para o Bayern. "Pegou no portátil e num papel e disse onde eu ia jogar"

28 fev, 2025 - 12:10 • Inês Braga Sampaio

O treinador reuniu-se de surpresa com o brasileiro num hotel em Zurique às 2h da manhã, em 2013, e tentou convencê-lo a mudar-se para Munique: "Ele disse que ia fazer de mim o melhor".

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Um momento "sliding doors" define-se como uma decisão (ou um detalhe aparentemente inconsequente) que altera a trajetória de eventos futuros, quiçá até de uma vida. Para "Helen", a protagonista do filme "Instantes Decisivos", de 1998, foi uma corrida para apanhar o metro. Para Neymar, uma ida para o Bayern de Munique que não se concretizou.

“Eu quase fui para o Bayern por causa do Guardiola", conta o brasileiro, agora com 33 anos e no Santos, em conversa no podcast "Podpah".

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Tudo aconteceu num quarto de hotel em Zurique, na Suíça, no início de 2013, quando Neymar tinha apenas 21 anos, vivia a última época no Santos e estava nomeado para o prémio Puskás de 2012.

"Eu estava no meu quarto. O meu pai ligou-me às 2h00 da manhã. Ele disse que estava a ir para o quarto. Quando abro a porta, de cuecas e t-shirt, estão lá meu pai e o Guardiola. Vesti os calções rápido, não estava à espera. Estavam o meu pai, Guardiola e o tradutor. E o Guardiola disse-me: 'Quero levar-te para o clube para que vou'", recorda o avançado.

Guardiola estava sem clube, depois de ter deixado o Barcelona, e não se sabia para onde iria. Após insistência, naquela reunião improvisada, revelou que ia para Munique, "uma cidade fria, que não era como Barcelona ou Madrid", mas garantiu a Neymar que "cuidaria" dele.

Relata o internacional brasileiro que o técnico catalão tinha um plano para ele, para o elevar a um patamar superior: "Ele disse que ia fazer de mim o melhor [jogador do mundo]. Pegou no portátil e num papel, passou-me tudo e começou a dizer, 'vais jogar aqui, vais fazer isto e isto, e se tu não fizeres 60 golos num ano eu volto a mudar de equipa'."

Neymar acabou por rumar ao Barcelona, para cumprir o sonho de jogar com Lionel Messi. Também rejeitou "um cheque em branco" do Real Madrid, que, dizia-se na altura, oferecia bastante mais dinheiro.

No filme "Instantes Decisivos", "Sliding Doors" em inglês - daí o nome do fenómeno -, a vida de Helen divide-se em dois: uma trajetória em que perdeu o metro e outra em que conseguiu apanhá-lo. Aquele momento inócuo leva a que viva duas existências muito diferentes.

Nunca se saberá como teria sido a carreira de Neymar se tivesse optado por ir com Pep Guardiola para o Bayern de Munique, mas no Barcelona, a jogar com Messi, como sonhava, conquistou, além de vários troféus domésticos, uma Liga dos Campeões e um Mundial de Clubes.

Seguiu-se aquela que é, ainda hoje, a maior transferência de um futebolista da história: Neymar rumou ao Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros. Contudo, e apesar de vários troféus internos, nunca chegou para vencer a Champions e, em 2023/24, o Al Hilal desembolsou 90 milhões de euros para o levar para a Arábia Saudita.

Montante que saiu muito caro, uma vez que, entre muitas lesões, o extremo marcou apenas um golo - e fez duas assistências - em sete jogos, ao longo de ano e meio. Este ano, Neymar voltou a casa, ao Santos.

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