21 nov, 2024 - 12:55 • Rui Viegas
Uma benesse para os telespectadores, mas com "eventuais complicações" para Luís Montenegro e seus pares. É assim que o professor de direito do desporto Lúcio Correia analisa o despacho em Diário da República do executivo com a lista de acontecimentos desportivos "que devem ser classificados de interesse generalizado do público" e dar, por isso, de forma gratuita nas televisões.
Nesta lista incluem-se jogos da Liga dos Campeões, do Mundial de Clubes, Liga Europa e Liga Conferência em que participem equipas portuguesas (um por jornada ou mão). Mas também, e para além do futebol, a Volta a Portugal masculina e feminina em ciclismo, o Rali de Portugal ou o Grande Prémio de MotoGP.
"Tem de haver aqui alguma contrapartida, negociação ou esclarecimento por parte do Governo. Porque, quando as pessoas compram, presumem que a competição não estará disponível em sinal aberto. Esta mudança implicará a perda de interesse nesses contratos o que poderá trazer complicações para o Governo. Para os adeptos será uma benesse", começa por dizer Lúcio Correia em Bola Branca, ao mesmo tempo que sustenta que este "despacho não é propriamente uma novidade", embora tenha "dúvidas se um jogo da Liga dos Campeões será totalmente de interesse público".
Despacho publicado esta quarta-feira em Diário da (...)
Num outro prisma, a Primeira Liga portuguesa vai voltar a ter jogos "grátis". A TVI chegou a acordo com o Moreirense para a transmissão dos jogos dos cónegos a partir de 2025/2026, e até junho de 2028, na condição de equipa visitada. O entendimento é válido também em caso de descida de divisão do conjunto minhoto.
Em Bola Branca, Lúcio Correia faz notar que o acordo "não é ilícito", mas constitui "uma pedrada no charco no processo de negociação da centralização dos direitos".
"Se os clubes não se entenderem, o Governo tem de atuar, como sucedeu em Espanha", finaliza o professor da Universidade Lusíada.