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"Como terminou o Porto a época passada? Então porque me contrataram?": Anselmi não vai mudar o sistema

28 fev, 2025 - 15:45 • Inês Braga Sampaio

Técnico acredita que o FC Porto começará "a colher o que tem semeado com tanto trabalho". Não é mudar tudo, mas sim analisar e encontrar os porquês: "Eu tenho de trabalhar em como vamos ganhar, senão ficaremos mais longe."

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Martín Anselmi tem as ideias bem claras: se o FC Porto o contratou foi porque o que era feito antes - incluindo na temporada passada, com Sérgio Conceição - não estava a funcionar e porque André Villas-Boas pretende que ele adapte a equipa ao seu estilo e não o contrário, sempre com o objetivo de vencer mais vezes.

"Como terminou o Porto o campeonato passado?", questiona o técnico argentino, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, depois de lhe perguntarem se faz mais sentido o treinador adaptar-se aos jogadores ou os jogadores adaptarem-se ao treinador. A resposta é que o FC Porto ficou a 18 pontos de distância do Sporting. Ao que Anselmi atira: "E agora, por que é que me contrataram? É evidente."

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A preocupação de Anselmi, que acredita que o Porto começará "a colher o que [tem] semeado com tanto trabalho", não é mudar o sistema, mas sim perceber quais os detalhes que não funcionam e corrigi-los.

"Tenho de trabalhar em como ganhar, senão ficamos mais longe de ganhar. Eu trabalho no como, e para isso faço uma análise para entender o porquê. Quando encontro um porquê, 'isto não está a funcionar', mudo. 'Isto está a funcionar, mas temos de melhorar coisas micro, para que noutras ocasiões consigamos ter sucesso'. Não é mudar tudo", vinca.

Martín Anselmi fazia a antevisão da visita ao Arouca, no sábado, às 18h00, a contar para a 24.ª jornada do campeonato. Encontro com relato em direto e acompanhamento na rádio, na app e no site da Renascença.

Arouca

Uma equipa que tem feito bem as coisas, há oito jogos que não perde. Esteve bem contra as equipas grandes, joga em casa. Temos de nos preparar para ir buscar os três pontos e quebrar essa série de oito jogos. Estão num bom momento, é uma equipa difícil, que joga bem, une-se bem por dentro, tem jogadores de qualidade, que sabem tocar a bola. Gosto do estilo de jogo do treinador adversário. Vi não só agora, mas também ao vivo, e parece-me que têm coisas interessantes. Vai ser um jogo complicado.

Mudanças defensivas
O meu trabalho como treinador consiste principalmente em tomar decisões. Para tomar decisões, tenho de ter fundamentos. E esses fundamentos têm de partir de entender os porquês. E os porquês vêm da análise profunda de um jogo, de dois jogos, de três jogos... Essa análise que fazemos, como equipa técnica, englobam o contexto, o adversário que acabámos de defrontar, o que funcionou, o que não funcionou, o que fizemos, o que não fizemos, o futebol português. E a partir dessa análise, vamos encontrando fundamentos que nos façam entender se há algo para mudar ou não. Esta pergunta parte somente do resultado, de perto e branco. Se ganhámos, se perdemos, se te marcaram três golos ou um. Não é o mesmo se eu faço 50 remates à baliza e eles fazem um do meio-campo e dá golo. Então, eu tenho de entender de onde vêm esses remates, para saber se o que estou a fazer as coisas bem ou mal. Por exemplo, um remate de cabeça vem de uma bola parada, por isso eu terei de pensar se tenho de melhorar ou mudar a bola parada. E tu falas-me de sistema. A bola parada não tem nada a ver com a forma como defendes, a nível de sistema, num jogo. Nada a ver. A jogada mais perigosa que o adversário teve no último jogo foi uma bola parada. E o golo, que vem de uma bola parada a favor. Então, terei de repensar o que fizemos nessas duas bolas paradas, a ver se está bem ou mal. Agora, se me perguntas: a nível de intensidade, agressividade, pressão, distância percorrida, saltos e de recuperações depois da perda, traz-me esses dados e vemos se o Porto está a defender bem ou mal. Porque o Porto recupera a bola muito rápido e com grande intensidade. Se nessa intensidade, ou nessa forma defender, provocas que nalguma ação o adversário gere uma oportunidade? E o adversário também joga... Mas eu quero ver isso na minha equipa, quero uma equipa que pressione e que ganhe a bola ao adversário o mais rapidamente possível. Isso é o que quero. Como quero fazer, aí podemos variar. Agora, perguntam-me: tenho de mudar o sistema a nível defensivo? Não. Não vejo que haja que fazer uma mudança, porque nós pressionamos como queremos pressionar e roubamos a bola como queremos roubar.

Análise ofensiva
Gosto de analisar as coisas e que tenhamos estes debates, porque nos enriquece. Estes debates são mais profundos que remates à baliza ou situações de golo. Há que entender os porquês de cada situação. Porque também ofensivamente não temos a quantidade de remates que o Porto teria de ter e eu tenho de analisar, o que é que se está a passar? Estamos a errar o último passe que teria gerado um remate à baliza. O jogador tomou a decisão correta, tentou o passe correto? Ou não estamos a perceber que a jogada pede uma finalização pela direita e estamos a insistir pela esquerda? Há muitas situações que o Porto cria que acabam por não se concretizar em oportunidades de golo por esse último passe ou essa última decisão final. Porque como é que fizemos golo à Roma? Pressionando. Com o Vitória, pressionámos, roubámos e criámos uma situação de cinco jogadores contra dois e falhámos o último passe, que daria o 2-0. Às vezes lança-se a moeda e ela cai num lado ou no outro. E claro, quando analisamos o resultado, não vemos tudo isto. Vemos se ganhámos ou se perdemos. O meu trabalho não é esse. O meu trabalho é analisar o porquê, para melhorarmos, porque a minha obrigação como treinador é que o Porto melhore e se aproxime do Porto que quero ver, independentemente do resultado. Queremos ganhar, claro. Mas o resultado é o fim. É ganhar. Mas como vamos ganhar? Tenho de trabalhar em como vamos ganhar, senão ficamos mais longe de ganhar. Eu trabalho no como, e para isso faço uma análise para entender o porquê. Quando encontro um porquê, "isto não está a funcionar", mudo. "Isto está a funcionar, mas temos de melhorar coisas micro, para que noutras ocasiões consigamos ter sucesso". Não é mudar tudo.

Faz mais sentido o treinador adaptar-se aos jogadores ou os jogadores adaptarem-se ao treinador?
Como terminou o Porto o campeonato passado? Na tabela. [A 18 pontos de distância do Sporting] E agora, por que é que me contrataram? É evidente.

Teme que os adeptos o coloquem em causa?
Antes de ser treinador, fui adepto. Sei o que é viajar como visitante para vermos a nossa equipa noutro país, sei o que é ganhar, sei o que é chorar por uma equipa, sei o que é festejar por uma equipa, sei o que é o resultado da nossa equipa afetar o resto da semana. Mais, os adeptos em geral são o mais importante que há no futebol. Sem eles, o futebol não existiria. Os jogadores existem, os treinadores existem, mas sem gente que consuma o futebol, não há futebol. Por isso, entendo, empatizo com e respeito o lado deles, e também entendo que o nosso trabalho é dar alegrias aos adeptos. E para lhes dar essas alegrias, temos de ser firmes no que estamos a fazer, porque estou convencido e sei que com o que estamos a fazer vamos começar a colher o que temos semeado com tanto trabalho.

Consistência defensiva é a sua maior preocupação?
Não é a minha maior preocupação. Eu quero marcar golos. Mas fico muito feliz quando termino os jogos com a baliza a zeros. Uma equipa para ser campeã tem de conceder poucos golos. Para lá de de onde vêm os golos, acredito que uma equipa tem de sofrer poucos golos. Porque podes ganhar todos os jogos 1-0, mas para ganhar 1-0 precisas do zero. Por isso, é muito importante terminar com a baliza a zero e trabalhar para que o Porto sofra muitos golos. Não é o que mais me preocupa, mas é algo com que me ocupo, o trabalho para que não soframos golos.

Fechar bem os encontros
Temos de aprender a resolver os jogos. No primeiro jogo, na Sérvia, passámos por uma situação de 1-0 e acabámos por ganhar. Mas não soubemos resolver bem o jogo, porque, no final, o Maccabi conseguiu criar situações de golo e tivemos sorte ou defendemo-las. Não é um final de que goste, não é assim que gosto de terminar os jogos. Com o Farense, talvez menos, mas apesar de termos ganhado, também não é a forma como gosto de terminar os jogos. Se fizéssemos tudo bem, ganharíamos todos os jogos. Eu não deixo de perceber que temos muitíssimas coisas que melhorar, mas a análise que faço é sobre o que temos de melhorar. Não é o básico de sistema. Há mais coisas, de salto, de distâncias, de redução de espaços. E para mim, nessa parte, há que entender como defender, também, com a bola. Nos dois jogos que mencionei e contra o Vitória, temos de entender como defender com a bola, passar a controlar o jogo através da bola, para poder gerar e ampliar a vantagem. Quanto maior a vantagem, melhor terminas a partida. E se eu tenho a bola, o adversário não a tem para poder empatar. Cinco minutos antes da falta que deu golo [frente ao Vitória], tivemos um livre igual, no mesmo sítio, e saímos curto e mantivemos a posse. E no livre que deu o empate tínhamos de ter saído curto, porque defender com bola é mantê-la. Um cruzamento é dividir a bola e ver quem a ganha. Mas nós estávamos a ganhar, por isso temos de ficar com a bola. E temos de aprender isso, para podermos fechar os jogos como gostamos.

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