06 mar, 2025 - 13:13 • Ana Kotowicz
Sem surpresas, o Banco Central Europeu voltou a cortar as taxas de juro. A descida é de 25 pontos base, tal como previam os analistas. Esta é a sexta descida consecutiva desde junho do ano passado.
Com o novo corte, a taxa de juro dos depósitos cai para 2,5%, depois de ter atingido os 4% no ano passado. As outras duas taxas diretoras (às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez) caem para 2,65% e 2,9%, com efeitos a partir de 12 de março de 2025.
"O processo desinflacionista está bem encaminhado", lê-se no comunicado do BCE, emitido esta quinta-feira, onde se considera que a inflação "estabilizará, numa base sustentada, em torno do objetivo de médio prazo de 2%".
Apesar disso, o BCE deixa o habitual aviso de que há salários e os preços em determinados setores ainda estão a ajustar-se, com um desfasamento substancial, à anterior subida acentuada da inflação. "Contudo, o crescimento dos salários apresenta, como esperado, uma moderação e os lucros estão a amortecer, em parte, o impacto na inflação."
Depois de anunciar o sexto corte das taxas de juro, desde o pico inflacionista que atirou as taxas para níveis recorde, a presidente do Banco Central Europeu aponta agora os grandes riscos que ameaçam as economias.
Christine Lagarde explica que chegam bons e maus indicadores à autoridade monetária, mas que as orientações são agora menos restritivas.
"Temos o impacto das decisões que estamos a tomar, o corte das taxas de juro. Mas temos também a água fria do Atlântico, ou seja, os efeitos das decisões que temos vindo a tomar. É neste ponto que estamos e por isso reconhecemos que a política monetária está significativamente menos restritiva", afirma Lagarde, depois do BCE cortar os juros em mais 25 pontos base.
A decisão é, segundo a líder do BCE, consensual, tendo tido apenas uma abstenção. E em abril só há duas possibilidades, ou um novo corte ou a manutenção das taxas.
“Temos de ser extremamente vigilantes e ágeis, para responder aos dados. Se estes indicarem que a resposta mais apropriada da política monetária é um corte, será um corte. Por outro lado, se indicarem que a decisão mais acertada é não cortar, será uma pausa. Penso que fui clara.”
[artigo atualizado às 16h25 com as declarações de Christine Lagarde]