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CONGRESSO DA ACEGE

João César das Neves desafia empresários a evitar a “fantasia pagã do Senhor dos Anéis"

29 mar, 2025 - 11:33 • Susana Madureira Martins

Congresso da ACEGE termina no domingo, no Centro de Congressos de Lisboa, entrando em funções a nova presidente, Patrícia Lis.

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“A única maneira de ter esperança é abandonar a fantasia pagã e adotar o realismo cristão”.

Este é o conselho deixado pelo economista João César das Neves no arranque do segundo e último dia do Congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), alertando para a não ficção que considera existir e que “invade hoje a política”.

O economista e professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) define os três princípios da “fantasia pagã” a evitar, num mundo atual em que “temos personagens da não ficção”, dando o exemplo de o país ter “um político que foi comentador desportivo”, numa referência implícita a André Ventura, líder do Chega, que participou em programas sobre futebol na CMTV.

César das Neves aponta como primeiro princípio da “fantasia pagã” do qual fazem parte os que “nos vendem que os maus são muito maus, acéfalos e nós somos génios”. O segundo princípio, segundo o economista, é que a “a vida é uma guerra sem quartel entre os bons e os maus”. E o terceiro é que “os problemas, afinal, são muito simples e, se tomarmos o pode, os problemas resolvem-se todos”.

"É o universo de filmes como o 'Senhor dos Anéis'”, conclui César das Neves. “É o que lá está”, disse, reconhecendo que se trata de uma “abordagem que começou com a Odisseia de Homero” - a tal “abordagem pagã da realidade”

A conclusão para César das Neves é deque o ideal é adotar o “realismo cristão” que determina que o princípio do mundo é muito bom. "Deus criou o mundo e depois o mal entrou nesse mundo."

E quais são, afinal, as diferenças “fundamentais” entre “fantasia pagã” e o “realismo cristão”? O economista define que no segundo conceito “o bem e o mal não está dividido entre pretos e brancos, entre os bons e os maus. Todos nós somos bons e todos nós somos maus, as duas ideias são verdade”.

A atitude perante a “realidade da fantasia é de raiva, a atitude do realismo cristão é a gratidão e tudo o que somos vem do sistema da economia portuguesa que é cheio de defeitos”, resume o economista.

Aos empresários e gestores presentes na sala do Centro de Congressos de Lisboa, César das Neves desafiou: “A primeira coisa a fazer é agradecer, torna mais fácil a esperança.”

Resumindo ainda mais a ideia, o economista lembrou a que diz ser a “anedota preferida” de João Paulo II, o Papa polaco, que sintetizava de forma espirituosa o modo como “resolver os problemas da Europa de Leste” da altura.

“Há duas soluções para os problemas, a realista e a miraculosa. A realista é que Nossa Senhora de Czestochowa venha a este mundo com todos os anjos e Santos e ponha isto na ordem. A miraculosa é que os dirigentes se entendam e resolvam os problemas”, disse César das Neves, arrancando gargalhadas na plateia.

No final da intervenção, o economista concluiu que “a única maneira de termos um olhar de esperança no mundo atual é sermos realistas como o Papa João Paulo II”.

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