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​Guerra comercial

Bolsa americana perde 5,4 biliões após tarifas de Trump. Risco de recessão "está em cima da mesa"

04 abr, 2025 - 23:23 • Ricardo Vieira , Marisa Gonçalves , com agências

Declaração de guerra comercial também implicou no preço do petróleo. O preço do Brent, que serve de referência para a Europa, caiu para o valor mais baixo em três anos.

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Os principais índices bolsistas dos Estados Unidos perderam 5,4 biliões de dólares em dois dias (4,8 biliões de euros), desde que Donald Trump declarou uma guerra comercial e uma nova onda de tarifas. Em declarações à Renascença, o economista e analista de mercados Filipe Garcia admite que o risco de uma recessão está em cima da mesa.

Wall Street terminou a semana a perder mais de 5%. São as consequências das taxas aplicadas pelo Presidente norte-americano aos parceiros comerciais internacionais.

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Nos últimos dois dias, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq registaram as maiores quedas desde a pandemia de covid-19.

Na quinta e na sexta-feira, o Dow Jones caiu 9,3%, o S&P 500 10,5% e o Nasdaq 11,4%.

As empresas cotadas em bolsa perderam biliões de dólares desde que o Presidente norte-americano anunciou uma vaga de tarifas. As empresas tecnológicas estão a ser penalizadas. A Nvidia caiu 7,3%, a Apple 7,3%, a Meta 5%, a Amazon 4%, a Microsoft 3,5% e a Alphabet de 3,2%.

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Em Portugal, o índice PSI perdeu 4,75% esta sexta-feira, seguindo a tendência das principais praças europeias.

No Reino Unido, o FTSE 100 sofreu a maior quebra diária em cinco anos, desde a pandemia (4,95%). Na Alemanha o DAX perdeu 4,54%, em Espanha o Ibex35 fechou a perder 5,83% e o CAC francês 4,26%.

Outra consequência da declaração de Trump é no petróleo. O preço do Brent, que serve de referência para a Europa, caiu 6,5% esta sexta-feira, para 65,58 dólares por barril, o valor mais baixo em três anos, indica o jornal Financial Times.

O índice de petróleo dos EUA, desceu 7,4%, para 61,99 dólares por barril, abaixo do preço que muitos produtores precisam para atingir o ponto de equilíbrio.

Recessão “está em cima da mesa”

As tarifas não foram uma surpresa dado que tinham dia e hora marcados para serem conhecidas, mas o mercado não gostou da dimensão do anúncio do Presidente dos Estados Unidos. Por isso, as bolsas estão em queda, diz à Renascença o economista e analista de mercados Filipe Garcia.

“O mercado não gostou da dimensão das tarifas, da forma como elas foram calculadas, da forma como impactam a China com uma tarifa total de 54%, abrindo espaço a uma retaliação e a um escalar da guerra comercial. É isso que está a acontecer. Fundamentalmente, não gostaram do facto de aumentar muito a probabilidade de uma desaceleração económica global ou mesmo uma recessão. E é por isso que os negócios estão a ajustar o seu valor e por isso é que as bolsas estão a cair.”

Filipe Garcia acredita que este impacto não seria esperado pela administração norte-americana.

Os principais índices europeus fecharam a semana a registar pesadas perdas. Também as bolsas americanas afundam, com o dólar a desvalorizar quase 1%. Ainda assim, Filipe Garcia lembra que os níveis ainda estão acima daqueles registados em agosto.

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Perante este cenário, o economista diz que ainda há o risco de recessão, em especial para o mercado americano.

“Eu acho que esse é um risco que está em cima da mesa, sobretudo para os Estados Unidos. Aquilo que me parece mais provável é que seja o consumidor e as empresas americanas os mais penalizados por esta situação. É evidente que, se tivermos uma recessão muito forte nos Estados Unidos, é muito difícil que isso não contamine o resto da economia mundial. Nesse sentido, é obviamente uma situação perigosa”, alerta.

Filipe Garcia entende que deveria ser dado um sinal de acalmia para os mercados, a partir dos Estados Unidos ou da China.

“Acho que é preciso alguma coisa para acalmar os mercados e que terá de partir do sítio de onde também a situação se desencadeou. Portanto, parece-me que seria necessário algum tipo de intervenção, de atuação, de discurso, no sentido de tornar estas nuvens menos negras do que aquilo que são agora.”

O analista de mercados recorda que tem sido prática de Donald Trump “iniciar processos negociais e depois também com alguma rapidez mudar a bitola daquilo que está a fazer”.

“Acho que não vai ser possível voltar atrás de uma forma muito incisiva, mas, francamente, estou à espera que durante o fim de semana surjam algumas palavras de conforto para tentar mitigar este pessimismo que está instalado”, sublinha.

Trump pressiona Reserva Federal

O Presidente norte-americano pediu esta sexta-feira ao governador da Reserva Federal para reduzir as taxas de juro.

"Este seria o momento perfeito para o governador da Reserva Federal, Jerome Powell, cortar as taxas de juro", escreveu Donald Trump, numa mensagem na rede Truth Social, alegando que a inflação caiu nos Estados Unidos desde que regressou ao poder, em janeiro.

O Presidente dos EUA aproveitou ainda para atacar Powell, repetindo críticas de que não respondia com a rapidez necessária aos problemas do país. "Tem estado sempre atrasado. Mas agora pode mudar a imagem", escreveu Trump.

Retaliação chinesa

Em resposta a Donald Trump, a China anunciou esta sexta-feira uma tarifa de 34% sobre as importações norte-americanas.

A tarifa de 34% anunciada por Pequim soma-se aos 20% já em vigor, elevando o total para 54%.

O Ministério do Comércio em Pequim disse também que vai impor mais controlos de exportação de terras raras, que são materiais utilizados em produtos de alta tecnologia, como semicondutores e baterias de veículos elétricos.

A China também remeteu para a Organização Mundial do Comércio (OMC) a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos às suas exportações, tendo apresentado queixa no mecanismo de resolução de litígios.

[notícia atualizada às 23h54, com declarações do economista e analista de mercados Filipe Garcia]

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