25 fev, 2025 - 23:46 • Redação
Em 2021, Ibrahima Diack e Magette N´Diaye tentaram salvar um homem homossexual, que foi espancado até à morte. Como forma de homenagem, a cidade espanhola da Corunha atribuiu-lhes o estatuto de “Filhos Adotivos da Cidade”.
Esta segunda-feira, numa cerimónia oficial, Inès Rey, autarca da Corunha, reconheceu os atos de heroísmo dos dois homens naturais do Senegal.
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Os dois homens foram os únicos a intervir em julho de 2021, quando Samuel Luiz foi atacado por um grupo que o pontapeou e esmurrou à porta de uma discoteca. Vídeos daquela noite trágica mostram outras pessoas a olhar e a filmar a situação de forma passiva, sem intervir.
“Os dois migrantes sem documentação foram os únicos que correram riscos físicos para salvar a vítima de um grupo de horror, o que dá muito para pensar e deixa uma série de lições”, disse Inès Rey.
Os migrantes senegaleses estavam a viver na cidade sem documentação e a fazer trabalhos ilegais, correndo risco de prisão e deportação.
Os dois homens referiram que apenas fizeram o que consideravam que estava correto, tentando parar a violência. Em frente a amigos e outros convidados, na segunda-feira, a presidente da Câmara Municipal entregou-lhes placas que lhes atribuem o estatuto de “Filhos Adotivos da Corunha”, permitindo a regularização da sua situação.
“Nós não somos heróis, apenas fizemos o que tínhamos de fazer”, disse N´Diaye, citado pela agência de notícias AFP.
Os dois migrantes senegaleses também foram testemunhas cruciais no julgamento dos culpados da morte de Luiz, realizado em novembro do ano passado. O juiz declarou quatro homens culpados de homicídio, com o tribunal a ordenar sentenças entre os 10 e 24 anos.
Todos os anos, dezenas de milhares de migrantes provenientes, maioritariamente, do Mali, Senegal e Marrocos chegam a Espanha ilegalmente, atravessando o Mediterrâneo de barco.