24 mar, 2025 - 15:56 • João Pedro Quesado
O governo trabalhista do Reino Unido ainda não passou um ano no poder, mas já se viu em apuros devido a dois concertos. A ministra das Finanças do Reino Unido admitiu este domingo ter aceitado a oferta de dois bilhetes para um concerto de Sabrina Carpenter em Londres, em março.
A oferta não viola as regras de conduta do governo britânico, mas é conhecida numa altura em que os trabalhistas planeiam fazer cortes de dois mil milhões de libras na administração pública do país - o que pode resultar no despedimento de dez mil funcionários públicos. O plano, que também inclui cortes de cinco mil milhões de libras em prestações sociais, vai ser anunciado oficialmente esta quarta-feira.
Entrevistada na BBC com a imagem de Sabrina Carpenter com pano de fundo, Rachel Reeves confirmou que foi ao concerto “com um membro da minha família há umas semanas”, argumentando que agora tem segurança a acompanhá-la, “o que significa que não é tão fácil como seria no passado simplesmente sentar-me num concerto, apesar de isso provavelmente ser muito mais fácil para toda a gente”.
“Achei que era a coisa certa a fazer de uma perspetiva de segurança”, sublinhou a ministra que, questionada sobre a possibilidade de pagar pelos bilhetes para ver a cantora norte-americana, assegurou que “estes não eram bilhetes que se podiam pagar”.
“Não havia um preço para esses bilhetes, obviamente vou declarar o valor deles, mas não eram bilhetes que se podiam comprar”, reforçou Rachel Reeves.
Em outubro de 2024, o primeiro-ministro Keir Starmer pagou mais de seis mil libras por presentes e benefícios de hospitalidade recebidos desde que assumiu o cargo, em julho do mesmo ano.
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As seis mil libras incluíam seis bilhetes para um concerto de Taylor Swift em Londres, quatro bilhetes para corridas de cavalos e um acordo de aluguer de roupas de alta-costura. Starmer foi ainda criticado por aceitar o convite do Arsenal para os camarotes executivos do estádio em setembro, e também afirmou que a razão era a segurança obrigatória para o seu cargo.
Na mesma altura, foi revelado que a própria Rachel Reeves tinha aceitado milhares de libras em doações de roupa enquanto estava na oposição, antes das eleições de 2024.
Os casos levaram o governo a aprovar novas regras para os ministros aceitarem benefícios, que não proíbem ofertas de bilhetes, mas obrigam os membros do governo a considerar a “necessidade de manter a confiança pública”.